Mahatma Gandhi certa vez disse: “Se um único homem alcançar a mais elevada qualidade de amor, isso será suficiente para neutralizar o ódio de milhões.” Ele mesmo alcançou essa qualidade desse sentimento, conseguindo libertar milhões de indianos do arbitrário domínio britânico. Tudo pela proposta da não violência, utilizando-se da força do amor.
Nos dias atuais, muito se tem falado sobre o amor, mas pouco se tem vivenciado. São tempos difíceis, onde os processos psicopatológicos estão muito presentes, o tempo é escasso, a pressa é nossa constante companheira, diante de uma busca desenfreada por atingir metas impostas por uma sociedade psicologicamente doente. Portanto, há uma total desconexão entre viver e amar.
O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung destaca o amor como esse sentimento profundo, que nos faz confrontar a nós mesmos e, a partir dele, podemos amadurecer e ampliar nossa consciência. É uma conexão com a alma, um desejo de se melhorar e assim oferecer ao outro o seu melhor. Quanto mais eu me entrego ao amor mais o recebo, pois o nosso sentido existencial é amar.
Ame-se: quando você se ama, você se instrui, se cuida e se prepara para uma vida muito mais feliz. Somente quando nos amamos, somos capazes de amar o outro na sua plenitude. Só podemos dar aquilo que estiver desenvolvido em nós. Ame a si mesmo e, a partir daí, ame o outro. E, dessa maneira, preenchido com essa força do amor, nos fortalecemos perante os embates da vida. Com os olhos postos ao futuro, não nos entregamos diante das adversidades do presente.
Simplesmente ame: esse amor que não busca retorno, reconhecimento ou retribuição. Esse sentimento profundo e genuíno que nos move ao outro. Não perdendo as oportunidades de se fazer presente diante das dores alheias e podendo aliviá-las naquilo que estiver ao nosso alcance. Esse é o amor ação, onde saímos da nossa zona de conforto e agimos. O nosso amor indo de encontro a dor. Atitudes que transformam vidas. Sem haver, muitas vezes, a necessidade de grandes feitos, pequenos atos que fazem a diferença. Pequenos para aqueles que realizam, mas gigantes para aqueles que recebem. Uma palavra, uma escuta, um gesto, um abraço, um sorriso, um olhar: toda e qualquer forma de amar. Respeitando, tolerando, aceitando o outro como ele é, sem querer impor nossa forma, muitas vezes distorcida, de ser ou pensar. Tomando consciência que não temos o poder de mudar as pessoas. Se queremos a mudança, comecemos por nós, pois quando eu me transformo, o mundo se transforma. Toda vez que alguém cresce o mundo melhora porque o coletivo está em mim e eu estou no coletivo. Todos somos um. Portanto, amar é uma escolha e quem toma essa decisão está caminhando ao encontro do sentido de viver. Vale a pena amar, o amor é a alma da vida.