Nem o desejo de prazer, nem a vontade de poder, o que move o ser humano é a busca por um sentido, por um significado. Essa é a ideia central do médico e psiquiatra austríaco Viktor Emil Frankl (1905-1997). De origem judia, Franckl foi um prisioneiro nazista, viveu na pele os horrores do holocausto. Mas mesmo passando pelas mais terríveis privações pôde encontrar dentro de si a força para se manter saudável, encontrando razões para continuar vivendo, lutando e, mais que isso, encontrando sentido no sofrimento que lhe era imposto.
Como muitos, perdeu aqueles a quem mais amava: pais, irmãos, amigos e sua amada esposa. No entanto, não perdeu a fé em si mesmo e a capacidade de escolher como responder diante de tais atrocidades. Diante dessa dolorosa experiência pôde construir a sua teoria psicológica intitulada “Logoterapia” - A terapia do sentido da vida. Onde o sofrimento foi percebido como fonte de significado existencial, pois considerou desperdício passar por tudo que passou e não extrair lições, não superar a dor e desta maneira torná-la útil no seu processo de construção interna.
Portanto, as particularidades de cada indivíduo, principalmente de seus valores definem o sentido de cada vida. E esse sentido pode ser encontrado das mais diversas formas: no trabalho, na fé, na criatividade, na arte, na caridade, na família, na amizade e também na atitude que se têm em relação ao sofrimento inevitável. Imaginar qualquer dessas atitudes sem a presença do amor é algo impossível. Pois o sentido de nossas vidas está ligado de certa forma ao amor. A vivência real deste sentimento, que nos impacta, nos transforma e nos move. Nos direcionando sempre a uma realidade externa, sempre ao outro, ao coletivo e, consequentemente, a nós mesmos. O amor é essa fonte que nunca cessa e com ela matamos a sede da nossa alma. Quando realmente vivenciamos o amor, a dor é ressignificada, o sofrimento ensina, a vida toma um sentido. Esse é o objetivo, encontrar sentido naquilo que vivenciamos por mais dolorosa que seja a experiência. Esse é um conceito da filosofia de Nietzsche que diz: " Quem tem porque viver suporta quase qualquer como".
Independentemente da situação que estejamos enfrentando, por maior que seja o problema, por mais intensa que seja a nossa dor, sempre há uma saída. Na vida pode nos ser tirado tudo, exceto a nossa capacidade de escolha. Como iremos reagir é uma decisão única e exclusivamente nossa. Podemos sempre escolher transformar qualquer situação de sofrimento, de dificuldade numa produção interna de valores. É uma questão de escolha. Foi assim com Franckl nos campos de concentração e é assim com milhões e milhões de anônimos que enfrentam diariamente as suas provações, as suas lutas nos mais diversos campos da vida. Que possamos trazer para nossa realidade e questionarmos não o que ainda temos a esperar da vida, mas sim o que a vida espera de nós. E, dessa maneira, nos colocando de forma ativa diante do nosso processo existencial. Com responsabilidade vamos nos tornando autores da nossa própria história. Se conscientizando de que quando não somos capazes de mudar uma situação em nossa vida somos desafiados a mudar a nós mesmos.
Em busca de sentido te faz perceber que desistir não é uma opção. Que sempre terá uma saída, um caminho, algo belo a apreciar. Sempre haverá um sentido para viver, seja ele um amor, um trabalho, um sonho ou a simples busca por se tornar alguém melhor.
" Quando a situação for boa, desfrute-a.
Quando a situação for ruim, transforme-a.
Quando a situação não puder ser transformada, transforme-se."
Victor E. Franckl
Psicólogo Juliano Generoso Cechinel
CRP: 07/30961
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