Mais um ano que chega ao fim. Com ele a reflexão: alegrias, tristezas, sucessos e fracassos marcam o passar de um ano. O aprendizado se faz necessário. E o natal é esse período onde realmente ficamos mais reflexivos e, consequentemente, mais sensíveis. Muitos se deprimem no aproximar dessas datas. Seja pela solidão da vida, o distanciamento daqueles que amam, ou o simples descontentamento consigo, faz desse momento algo melancólico. Outros se deixam levar pelo impulso coletivo do consumir. Se endividam com o objetivo de presentear aqueles que os cercam. Gastam o dinheiro que não possuem para impressionar, agradar ou compensar aquilo que consideram que deixaram a desejar. Será esse o sentido do natal?
Literalmente esquecemos o aniversariante do dia: Jesus. O ser mais notável que a humanidade já viu. Nasceu numa manjedoura, junto aos animais, para mostrar que a felicidade não está em coisas ou pessoas, mas na simplicidade do viver: na intimidade da alma. Nos mostrou que as dificuldades não te limitam a alcançar seus objetivos. E que nada é eterno, tudo é transitório. O impossível não existe para aquele que acredita.
Jesus um ser incomparável. Sua religião era o amor. Aqueles que a sociedade excluía, ele acolhia. Não discriminava ninguém. Sem julgamentos ou imposições dogmáticas ensinava o caminho, sem se colocar numa posição superior. Mostrando que a conexão com o divino não está nos templos suntuosos, no dinheiro arrecadado, ou imposições externas, mas nessa construção interna. Buscando assim a integração e o aperfeiçoamento ético-moral. O sagrado que habita dentro de nós, acessível a todos que se permitem tal encontro.
Ele ensinou exemplificando. Traído por aqueles que mais amava, não os condenou, os amou mesmo assim. Negado, abandonado, humilhado, mostrou ao carregar a sua cruz como devemos proceder diante das adversidades da vida. O ser mais autêntico que a humanidade já viu, pagou o preço por viver a sua verdade. Como esperar compreensão de uma sociedade doente. Se ele passou pelo que passou, o que sobra para nós, meros mortais!
Ele é a inspiração. Diante da sua proposta de amor que possamos ser mais tolerantes. Convivendo melhor em sociedade. Aceitando as diferenças. Sem querer impor nossa forma, muitas vezes distorcida, de ser e pensar.
A verdade? Qual é a verdade? Que possamos conviver com as muitas verdades. Estar aberto ao novo, ao diferente, ao inusitado, com a certeza que tudo pode mudar a qualquer momento. A verdade é que não existe verdade absoluta. Cada qual tem a sua.
Respeitar e conviver: eis o convite. Que nesse natal, a luz do aniversariante possa penetrar nossa alma. Menos intolerância, mais amor. Um feliz natal.
Se você sente que erra com frequência, tem muitos conflitos e acredita que não tem qualificação intelectual para brilhar afetiva e profissionalmente, não se desanime. Se estivesse morando próximo ao mar da Galileia, provavelmente você seria um dos escolhidos para segui-lo (Jesus). Augusto Cury
Psicólogo Juliano Generoso Cechinel