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O meu ombro dói! O que será?

As pessoas queixam de uma sensação dolorosa na região do ombro (às vezes se irradiando para o braço), que pode estar relacionada ao movimento, ao esforço ou mesmo intensificar-se no repouso  , ou  piorando a noite .

Qual a causa destes sintomas? Podem ser de variadas etiologias: posturais, inflamatórias, traumáticas, degenerativas ou mesmo tumorais . Dentre estas uma das mais frequentes e geradora de limitação funcional é conhecida comumente como a Lesão do Manguito Rotador .

O Manguito Rotador ( MR) pode ser definido como um conjunto de tendões/músculos que recobrem juntamente com a cápsula articular  a articulação entre o úmero e a escápula . São quatro os músculos que compõe esta estrutura: 1. Supraespinal, 2. Infraespinal, 3.Subescapular e 4. Redondo Menor. Trata-se de músculos que atuam estabilizando a articulação do ombro para permitir a elevação do braço pela ação dos demais músculos da cintura escapular.  Sua lesão pode comprometer atividades como elevar e rodar externamente o braço, a abdução ( abertura lateral)  e a extensão . Isto se manifesta ao elevarmos o braço para pegar um objeto em uma estante, ao dirigir, colocar o cinto de segurança , vestir um blusão ou mesmo deitar repousando a cabeça sobre o braço   , através da sensação de uma dor aguda de forte intensidade no ombro  podendo se estender até face lateral do braço .

Via de regra as lesões são de dois tipos: Parciais  e Completas

As lesões completas são relacionadas aos processos degenerativos e tem evolução mais arrastada, acometendo pacientes com idade mais avançada, podendo ter relação com  o impacto do tendão sob as estruturas ósseas nas atividades com o braço elevado ou traumas de repetição .

As lesões parciais são mais relacionadas ao trauma agudo ou atividades ligadas ao esporte e, por este motivo, mais frequentes entre os mais jovens.

Entretanto, os traumas de grande intensidade podem promover lesões completas (grandes rupturas que determinam importante limitação da função do ombro) e mesmo pacientes com evolução de um quadro doloroso crônico às vezes tem lesões apenas parciais.

O que diferencia os tipos de lesão é a sua característica anatômica relacionada ao tamanho (largura x comprimento) e profundidade ( espessura do tendão ) e quais os tendões  acometidos .

Este diagnóstico deve ser feito pelo seu Médico através do exame físico e suas manobras específicas além dos exames radiológicos (Rx, ultrassom e Ressonância magnética) . Estes últimos de igual importância entre si, dependendo da estrutura que queremos avaliar e o seu grau de acometimento.

Estabelecidos estes parâmetros teremos as condições de propor a melhor terapêutica para cada caso.  Ora! Se temos várias causas e tipos de lesão não podemos tratar todas com uma receita  (técnica)  só ;  visto que os resultados são dependentes dos  fatores como   : o  tipo e tamanho da lesão , idade do paciente , nível de atividade e qualidade do musculo/tendão .

Inicialmente a maioria dos casos é tratada de forma conservadora (lesões degenerativas ou inflamatórias) ficando  as cirurgias reservada aos casos rebeldes ou com componente traumático associado .

Nos casos restantes, os puramente traumáticos e naqueles em que o efetivo tratamento conservador não surte o efeito desejado em um período que varia entre três a seis meses (dependendo do Autor) , pode-se indicar a solução via cirurgia .

No arsenal cirúrgico, em dias atuais, dá-se preferência as técnicas menos invasivas como a cirurgia vídeo-artroscópica (cirurgia realizada através de pequenos orifícios com a visualização por uma câmera e instrumentos que permitem a cirurgia intra-articular), preservando assim a musculatura e permitindo uma reabilitação mais precoce.

Nos casos mais avançados, nas lesões mais extensas e naquelas em que a degeneração tendinea é muito avançada pode-se lançar mão de técnicas que vão de transferências musculares ou mesmo das artroplastias (próteses) que, embora não recuperem totalmente a função , tem papel importante no controle da dor .

O mais importante é o entendimento da importância destes músculos na mobilidade do ombro e para sua estabilização para as atividades de nosso cotidiano. Havendo a necessidade da prática de exercícios e de fortalecimento muscular da cintura escapular. Quer para manter o ombro sem sintomas, quer para recuperar o ombro sem cirurgia ou mesmo para a reabilitação após os procedimentos cirúrgicos eventualmente realizados.

Robson G de Almeida 

Ortopedista CRM-SC 5026  SBOT -4529

Fonte: Top Saúde

 

 

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