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Bem estar

O sofrimento está ao nosso lado

Estava muito frio, a neve caía e já estava começando a escurecer. Era a noite do último dia do ano. Uma menina descalça e sem agasalho andava pelas ruas, no frio e no escuro. Tinha um pacotinho de fósforos na mão e outro no bolso do velho avental. Naquele dia não tinha conseguido vender nada e estava sem nenhum dinheiro. Com frio e com fome, andava pelas ruas morrendo de medo. Num cantinho entre duas casas, ela se encolheu toda. Voltar para casa, nem pensar; sem dinheiro, sem ter vendido nada, era certo o castigo do pai. Com as mãos geladas, pensou em acender um fósforo, tentou e conseguiu. Nesse momento a menina se imaginou diante de uma lareira enorme, com o fogo esquentando tudo e ela também. Mas logo a chama do fósforo apagou e a lareira sumiu. Acendeu mais um fósforo e se viu junto de uma belíssima árvore de Natal. Velinhas e figuras coloridas enchiam os galhos verdes. A menina esticou o braço e o fósforo apagou. Mas as velinhas começaram a subir, a subir e ela viu que eram estrelas. Uma virou estrela cadente e riscou o céu. A avó – única pessoa que tinha gostado dela de verdade e que já tinha morrido – sempre dizia: “quando uma estrela cai, é sinal de que uma alma subiu para o céu”. A menina riscou mais um fósforo e, no meio do clarão, viu a avó tão boa e tão carinhosa a sua frente, vendo ela disse: " Vovó, me leva embora! Sei que você não vai mais estar aqui quando o fósforo apagar. E foi acendendo os outros fósforos para que a avó não sumisse. A avó tomou a neta nos braços e, soltando os pés da terra, voaram ambas tão alto que já não podiam sentir frio, nem fome, nem desgostos. Mas ali, naquele canto, quando rompeu a manhã gelada, estava caída uma menininha, com as faces roxas, um sorriso nos lábios, morta de frio, na última noite do ano. O dia de ano novo nasceu, indiferente ao pequeno cadáver, que ainda tinha nas mãos uma caixa inteira de fósforos queimados. As pessoas diziam: "Coitadinha, parece que tentou aquecer-se!"

Esse conto de Hans Andersen nos remete a vulnerabilidade e nosso papel enquanto agentes de transformação social. Nos sensibilizamos diante de situações como essa, ou quando nos deparamos com a fome na África, com os impactos de uma guerra, com a exploração infantil... enfim, a pergunta é: o que eu faço, com esse sentimento, do ponto de vista prático? ou ficamos apenas no sentimentalismo. Tal sentimento, para se tornar efetivo, deve vir acompanhado de atitudes. Todos idealizamos um mundo melhor e esse mundo começa em nós, está em nossas mãos. A dor humana está a nossa volta, ao nosso lado e na grande maioria das vezes nem percebemos. O nosso foco está em outras questões, que julgamos mais importantes. Nos consumindo a tal ponto, que não conseguimos enxergar nem a dor daqueles que convivem conosco.

As preocupações excessivas em poder dar conta das nossas demandas nos tiram a saúde física, psíquica e espiritual. Com isso, não percebemos que aquela menina pobre e com frio está ao nosso lado, convivendo conosco, nos pedindo ajuda e não temos a capacidade de ver. Somos estranhos morando sob o mesmo teto. Não conheço ninguém, muito menos eu mesmo.

Existe ali apenas uma casa: fria e sem afeto. Onde nessa construção material realizo apenas minhas necessidades básicas: durmo, faço minha higiene, me alimento... Esta casa está longe de ser um lar. Este, é um lugar de aconchego, um santuário onde é abrigado o sentimento. No lar é onde nos reunimos afetivamente, compartilhando, aprendendo uns com os outros e através do diálogo aparamos as arestas das diferenças. Apesar das dificuldades reina o amor.

Então não importa a estrutura material, ela não é pré-requisito de felicidade. Muitas famílias moram em casebres e vivenciam o verdadeiro e profundo sentido de lar, outras residem em lindos palácios mas vazios de alma, frios pela ausência de afeto. Portanto, a vulnerabilidade está presente em todas as classes sociais, dos mais pobres aos mais ricos, dos mais humildes aos mais intelectualizados. Que possamos acender a luz da consciência e com isso ver onde estamos colocando nossa energia. Para que coisas importantes não morram por falta de calor afetivo.

O amor aquece e preenche os vazios da alma. Que possamos vivenciá-lo com aqueles que nos são caros e com aqueles que o universo coloca em nosso caminho. Certamente assim encontraremos a paz que tanto desejamos, não fora mas dentro de nós.

Psicólogo Juliano G. Cechinel

Rua Hildebrando Pessi 12, Cidade Alta, Araranguá/SC

Av. Taquara 183, sala 501, Petrópolis, Porto Alegre/RS

Foto: Freepik | freepik.com

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