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Vai casar ou já casou?

O casamento é um dos maiores desafios do ser humano quando se trata de relação social. Os contos de fadas venderam a ideia de que quando você se casar deve ser "feliz para sempre". No entanto, a realidade nos mostrou que juntar as escovas de dentes com alguém, vai além de viver só o lado bom do amor. Precisamos saber lidar, amar e respeitar, não só a luz, mas a sombra de quem desejamos nos casar.  Atualmente no Brasil, segundo o IBGE, em dez anos o número de divórcios cresceu 160%, sim eu sei ninguém casa pensando em separação mas infelizmente também muitos casais não se preocupam em colocar uma energia para que essa maravilhosa caminhada da vida a dois seja duradoura, feliz e saudável.

Essa caminhada que eu estou falando pode começar com algo bem simples, mas por vezes tão difícil de ser colocado em prática, o diálogo. Através de uma pesquisa que fiz e com minha experiência do consultório 99% dos casais pontuaram a comunicação como uma das maiores dificuldades na relação a dois. Então vamos as dicas.

Primeiramente para se ter um diálogo com seu parceiro sem que o mesmo seja cheio de turbulências é imprescindível que saibamos um pouco sobre algumas teorias de como funciona a comunicação. Calma! Eu sei que quando escutamos “teoria” existe a preocupação de ter que passar por um processo chato, não é mesmo?

Mas quero que vocês pensem comigo: quando quero fazer algo novo eu faço o que? Busco informações pra depois testá-las e colocá-las em prática e é isso que estou pedindo pra você, partindo do princípio que você quer saber como dialogar com o seu parceiro sem discussões e que quer que ambos entendam a comunicação que existe entre os dois.

Eu vou sim te dar algumas dicas, mas quem vai construir a melhor forma de se comunicar são vocês. O modelo de comunicação é bem particular de cada casal, partindo do princípio que somos seres únicos, com o desejo de construir uma relação de sucesso. Então essas dicas vão ajudá-los a desenvolver os acordos para um diálogo saudável.

Uma informação básica, mas indispensável, é que devemos entender que na comunicação sempre existe o receptor e o emissor da mensagem, e respeitar essa regrinha é fundamental, pois numa mesma conversa podemos ser os dois, falante e ouvinte.

Parece simples, mas não é!

Para uma melhor compreensão é necessário saber que essa mensagem pode ter sofrido interferências indesejáveis, os (ruídos) durante o processo de transmissão, que podem ser a (fala, gestos, olhares, a linguagem) e pode prejudicar o entendimento da mensagem pelo receptor (a pessoa que está recebendo a informação).

Além dos ruídos, a forma como emitimos uma informação e a disposição que temos que ter para ouvi-la e interpretá-la também é importante nesse processo de compreender o que está sendo transmitido. E, ainda assim, além de todas essas interferências, o receptor irá carregar a interpretação da mensagem através de uma percepção pessoal, com toda a sua bagagem de informações dando a ele o direito de julgar interessante ou não a mensagem que recebe. 

O importante aqui é saber que você não precisa concordar com tudo, mas que deve estar atento, ouvindo o que lhe é dito.

Logo, a comunicação acontece quando o emissor (a pessoa que está transmitindo a ideia) traduz a sua ideia para uma linguagem que possa ser compreendido pelo receptor. Ou seja, quando ele consegue identificar a melhor forma de transmitir a mensagem para aquele que está ouvindo consiga entender.

Dá para entender como não é tão simples assim se comunicar? Porque além de termos que ser claros e cuidadosos na mensagem que queremos transmitir, o receptor também tem que estar disposto a ouvir sem julgamentos e com atenção aos ruídos que podem existir.

Por esse motivo que um dos maiores problemas da comunicação é quando as pessoas dizem entender uma mensagem, quando na verdade ela não foi compreendida. Isso acontece quando acreditam que entenderam o que seu parceiro está querendo dizer, mas na verdade essa pessoa não ouviu o que o outro disse.  E, além disso, muitas vezes nem mesmo o próprio parceiro sabe o que quer dizer para o outro. Aí vira uma bola de neve e ninguém entende ninguém.

Então a primeira dica é ficar atento, avaliar, perceber como você se posiciona como receptor e como transmissor na comunicação a dois.

Para facilitar essa avaliação vou passar alguns pontos, ruídos que podem estar atrapalhando sua comunicação a dois. Vamos começar!

Primeiramente vamos observar nossa linguagem verbal, sim existe a não verbal que já vamos falar sobre isso também.

Quando você se dispõe a escutar o outro, já é meio caminho andado. Pois, uma das principais causas das brigas entre os casais, é quando um diz ter escutado o outro, mas na realidade apenas ouviu o que era do seu interesse ou o que não o atingisse diretamente.

É importante você saber que existe uma pequena diferença entre ouvir e escutar. O próprio dicionário da língua portuguesa pode explicar. Segundo ele, ouvir é uma ação ligada ao efeito físico de ouvir, ou seja, entender através do próprio sentido de audição do ouvido.

Já escutar é o ato de dar atenção para o que se ouve. Ou seja, sentir, perceber, interpretar, ficar atento ao que se ouve.

Saber receber as informações, sendo assim, ouvir e escutar, também pede que abandonemos alguns pensamentos na hora da conversa. As expectativas que criamos em nossas vidas são as maiores aliadas da frustração. E essa frustração acontece muito em relacionamentos conjugais quando existe o julgamento do outro no diálogo.

Quem ai já ficou organizando a resposta mentalmente enquanto o outro falava?

Escutar é você estar atento não somente ao som, mas à voz da pessoa, à escolha das palavras. O tom de voz, o ritmo que ela está usando para transmitir uma mensagem. O nosso tom de voz é um fator importante na hora do diálogo, dependendo como ele é conseguimos perceber como a pessoa que está emitindo a mensagem está se sentindo.

O ideal durante uma conversa é manter o tom de voz neutro, e os gestos naturais, sem serem agressivos. Quando você abaixa muito o tom de voz, está mostrando insegurança, medo. Quando aumenta, está mostrando poder, dominação e até raiva. E quando transmitimos isso através da nossa mensagem, além na nossa carga emocional na informação que passamos, estamos sujeitos ao julgamento de como o outro irá receber a mensagem com todas as suas questões internas que também agregam certos ruídos às informações que são recebidas.

Por exemplo! Se alguém grita com você, dependendo do seu estado emocional e de toda as informações que você já tem sobre o outro, seus ideais, sua moral, cultura, entre outras coisas, a sua reação pode variar desde um choro, um riso irônico, até uma explosão. 

Quando você está conversando com seu parceiro ou parceira e percebe que ele aumenta o seu tom de voz, isso é um sinal que a comunicação entre ambos não está sendo clara. Ou você não está ouvindo o que o outro está dizendo, ou ele não está sabendo expor seus sentimentos da maneira correta, ou são as duas coisas.

Cuidado para não ser o que eu chamo de surdo seletivo, só escutar o que lhe convém. Assim como o emissor deve se esforçar para passar a mensagem correta, o receptor também deve levantar esforços para ouvir.

Agora vamos falar da comunicação não verbal que também é importantíssima na hora do dialogo.

Quando estamos transmitindo uma informação ao outro, não são só as palavras que transmitem algo, e nem só o tom de voz que usamos. As expressões faciais, principalmente os olhos, a boca, e toda a linguagem corporal, como gestos com as mãos, postura física, o ritmo do corpo no momento, vão dizer algo também. Esse conjunto de manifestações é conhecido como comunicação não-verbal.

Vejamos, em uma conversa entre duas pessoas sempre existe um canal não-verbal para que se mantenha o diálogo: um olhar firme, alguns gestos de retorno como aquele movimento com a cabeça quando você mostra que está ouvindo ou concordando com a pessoa, reações faciais como um sorriso ou negação. Sem esses sinais não existe uma conversa!

E aqui vem um alerta!!!!

Essa linguagem silenciosa do corpo, que muitas vezes contradiz as palavras, é a expressão do inconsciente e reflete algo importante sobre nós mesmos. Isso acontece porque as pessoas não têm consciência de suas posturas. Pois, um gesto pode transmitir diversas coisas, mas o seu significado é atribuído dependendo do contexto da situação. 

Assim como nossa fala, nossos gestos também são importantes recursos de comunicação que utilizamos para expressar nossas emoções. Cada gesto ou movimento pode ser uma valiosa fonte de informação sobre a emoção que a pessoa está sentindo num determinado momento.

Outro ponto importante na hora do diálogo é tomar o cuidado com as expectativas que colocamos numa conversa.  Temos outro olhar, outro individuo, logo, outra interpretação. Ou seja, a pessoa que alimentou essas expectativas pode ter moldado um cenário imaginário, antes mesmo de o outro terminar o seu raciocínio ou expressar sua mensagem, e aí acaba não escutando o que o outro tem para falar, porque fica preso à voz mental de suas expectativas. E é nessa hora que vem os conflitos. Esse processo acontece na maioria das vezes de forma inconsciente. 

Aquele que está emitindo a mensagem também precisa estar consciente de que pode estar ou não alimentando certas expectativas. O caminho neste caso é expressar o que realmente está sentindo, mesmo que não corresponda às expectativas do outro. É muito importante que em um relacionamento ambos os parceiros saibam expressar coisas que não estão gostando.

Já existem estudos que afirmam que um dos maiores problemas nos relacionamentos não é sexual, e sim verbal. Outra pesquisa realizada em onze países aponta que os casais mais felizes são os que mantêm mais diálogo. A conclusão é que depois de um ano de relacionamento os casais gastam apenas 37 minutos por semana num diálogo significativo e intenso. Um número baixíssimo. 

Expressar o que está sentindo verbalmente é uma atitude que não faz bem somente à relação, mas a cada indivíduo. O ato de se expressar é individual, e guardar o que se sente pode causar um sofrimento interno, ocasionando inclusive, doenças psicossomáticas.

Expor como estamos nos sentindo pode ser uma tarefa muito difícil para muitas pessoas, trazendo desconforto, vulnerabilidade, medo de machucar o outro ou a si mesmo. Mas, saber colocar esses sentimentos para o parceiro, e também ouvir quando necessário, é uma troca fundamental. Ela favorece a construção do eu, do autoconhecimento, da relação, trazendo mais sinceridade, intimidade, empatia e cumplicidade entre os parceiros.

Depois dessas informações você já pode tentar colocar em prática outra postura no seu relacionamento. É preciso sempre lembrar que a comunicação, por mais que pareça algo natural do ser humano, ela não é simples. Mesmo falando a mesma linguagem e tendo intimidade o suficiente como num casamento, ela ainda é complicada. E até casais que já estão há muito tempo juntos ainda tem dificuldades em se comunicar.

Esses são alguns pontos, mas tem muito mais na comunicação a dois para ser desenvolvido como: Saber pontuar o que não está gostando; Conseguir expressar os sentimentos/desconfortos, angústias/inseguranças/medos; Saber o momento certo para conversar; Não deixar chegar no limite (explosão); O que é ideal/óbvio para você não é para mim (bola de cristal).

Por isso, eu convido vocês a conhecerem o meu programa completo de Coaching para casais, Engrenagem do Amor.

Psicologa Coach de Relacionamento

Silvana Silvestre Wessler

Whatsapp: (48) 99154-1675

Instagram: @silvanasilvestrew

 

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