Madre Teresa de Calcutá contava que, certa noite, um homem foi até sua casa e falou que havia uma família, com oito crianças, que não se alimentava há dias. Prontamente, ela pegou uns pacotes de arroz, que era o que tinha no momento, e foi até lá. Chegando ao casebre, viu os rostos das crianças desfigurados pela fome. Não havia desgosto, nem tristeza nesses rostos infantis, apenas um profundo sentimento de fome. Então ela entregou o arroz a mãe, que dividiu em duas partes e saiu levando umas das metades. Quando a mãe retornou, Madre Teresa perguntou onde havia ido e ela simplesmente respondeu que tinha ido a casa de seus vizinhos, pois eles também tinham fome.
Essa singela história nos remete a importância da empatia: essa capacidade psicológica de se colocar no lugar do outro, para entender suas necessidades, sentimentos e problemas. Permitindo a compreensão das emoções e dos atos do outro, sem julgamentos, preconceitos ou imposições pessoais. O psicólogo norte-americano Carl Rogers, precursor da psicologia humanista, destaca que ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele.
Na atualidade, a sociedade está carente de empatia: a intolerância cresce, os preconceitos se multiplicam, assim como a falta de compreensão e ajuda ao outro. As pessoas olham apenas para si mesmos, para os seus interesses. O egoísmo impera no coração da humanidade.
Lutamos fervorosamente pelos nossos direitos e negligenciamos os nossos deveres. É um senso de justiça unilateral. Exigimos que o outro nos compreenda e pouco nos importamos em compreender o outro. Buscamos o reconhecimento pelas nossas atitudes e esquecemos de reconhecer os atos daqueles que estão conosco. Queremos atenção, pouco nos importando em dar de nós. Desejamos ser amados, mas esquecemos de amar.
Um mundo melhor se constrói através da empatia. É preciso desenvolvê-la, para aprender que não existe verdade absoluta, que tudo depende do ponto de vista. E, se hoje, o vazio existencial está presente, fazendo nos sentir pessoas solitárias, devemos nos conscientizar que através desse sentimento, podemos nos tornar pessoas solidárias. Preenchendo, assim, o vazio da alma.
A empatia demanda ação. Colocar-se no lugar do outro, sentir o que ele sente e agir. Pessoas solitárias tornando-se pessoas solidárias. Cultivando esse sentimento diariamente e, dessa maneira, vamos nos tornando seres muito mais humanos. Promovendo convivências muito mais saudáveis, seja na família, no trabalho ou na sociedade. Uma vida com empatia é uma vida com sentido. Assim construiremos uma existência repleta de realizações: internas e externas. Pois a empatia é esse sentimento que pode mudar o mundo.
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