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A quem serve o golpismo no Brasil e na América Latina?

Não é preciso muito tempo de estudo sobre a história do nosso povo para perceber que nossa regra é o golpe e o autoritarismo, sendo a democracia, uma exceção dos tempos de paz, onde vivemos tranquilamente, porém, ainda sendo observados.

Na América Latina, desde o século passado é possível destacar alguns cenários importantes para a análise empírica de nossa história. Desde a revolução do Estado Novo de Getúlio Vargas, em meados do século XX, onde teve seu mandato constantemente bombardeado por tentativas de golpe, até a destituição de Evo Morales em 2019, é possível observar diversas tentativas de desestruturação e tutela de nossa República e de países vizinhos e irmãos. Em todos os cenários é possível identificar diversos traços em comum, principalmente, os agentes causadores das quedas e desestruturações. 

Olhemos para nossa história, em 1954 Getúlio Vargas se viu obrigado a dar um tiro no próprio peito sob a afirmação de estar sendo perseguido por “grupos internacionais” que faziam forte pressão em seu governo através da ala militar. Em sua “Carta Testamento”, Getúlio escreveu que seu suicídio era uma tentativa de mobilizar o povo a lutar contra tal influência, abrindo seus olhos sobre o que acontecia no Brasil. A comoção foi tanta que Vargas adiou o golpe e conseguiu eleger Juscelino Kubitschek para Presidente da República, trazendo alguns anos de normalidade democrática para a nação. Porém, não demorou para que em 1961 uma nova ameaça golpista se instalasse, quando o novo Presidente Jânio Quadros decide renunciar, e uma ala militar brasileira não permite que o trabalhista e Vice-Presidente João Goulart assumisse o posto, como ordenava a constituição. Após uma longa tensão liderada por Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, a favor da legalidade e do cumprimento da constituição, sob ameaças de bombardeio do Palácio do Piratini, porém, com uma forte mobilização popular, o movimento conseguiu enfraquecer e dividir o exército, garantindo a nomeação de João Goulart, sob um regime parlamentarista.

Não demorou três anos, para que em 1964, após defender diversas reformas, como a reforma agrária, João Goulart tomasse um golpe de estado dos militares e fosse destituído da cadeira da Presidência da República, sendo obrigado a se refugiar no Uruguai junto com Leonel Brizola, sob a ameaça de morte pelos militares que tomaram o poder. Naquela mesma época, outros golpes idênticos foram aplicados em países da América Latina, como no próprio Uruguai, onde manteve o líder socialista Pepe Mujica preso em uma solitária por mais de dez anos.

Já estamos fartos de conhecer tais histórias e o que aconteceu nesses períodos militares, mas pensemos, a quem interessa esses golpes e destituições? Quem são os alvos e por qual motivo? Quem está sempre por trás apoiando e financiando tais iniciativas?

Quando Getúlio sinalizou às “potências internacionais” que queriam o controle e tutela de nosso território, logo sucedido por Leonel Brizola e João Goulart, onde faziam as mesmas menções aos mesmos grupos, deve-se compreender que a América Latina possui um subsolo, fauna, flora e reserva de água infinitamente rico a ser explorado por impérios internacionais, portanto, qualquer líder que não esteja comprometido com a verdadeira entrega de tais bens naturais de nosso continente, está automaticamente enfrentando aqueles que o querem para si, e as consequências são as que acabamos de narrar. 

Dessa forma, toda vez que se começa uma narrativa golpista, de intervenção militar ou de destituição de instituições democráticas, encara-se como mais um grupo internacional querendo retomar o controle definitivo daquilo que não lhes pertence. No Brasil, assistimos a cada dia passos largos rumo ao autoritarismo já vivenciado há pouquíssimo tempo, somado às vendas de empresas estatais brasileiras, setores petroleiros de controle estatal e empresas nacionais com forte potencial de defesa, como a EMBRAER.  

Não cabe apontar dedos para países e os qualificar como golpistas e imperialistas, o que cabe é olhar para o retrovisor e enxergar a história de nosso continente, apenas fazendo isso, é imediata a sensação de que estamos novamente encurralados em uma escalada autoritária que irá tentar entregar, de novo, o que temos de mais rico.

 

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