Nem só as eleições municipais despertam interesse dos políticos de Araranguá. Articulações nos bastidores encaminham a desfiliação partidária de um “prefeiturável” e posterior ingresso em outra sigla, onde já evidenciaram que seria recebido com polpa e festa.
O assunto foi abordado durante a campanha e, ao que tudo indica, será retomado após o resultado das urnas. O nome em questão estaria descontente com a falta de harmonia interna e também escasso apoio em torno de seu projeto eleitoral. A aproximação dele com o provável futuro partido político ocorreu naturalmente, não de maneira premeditada.
Se o dito cujo for eleito e a mudança de sigla concretizar-se estaremos diante de um verdadeiro “choque de gestão” com efeito contrário ao administrativo.
SÍNDROME DO VICE
A disputa pelo voto, o exercício da cidadania e a consequente expectativa pelo resultado nas urnas monopolizam as atenções da maioria dos cidadãos até domingo. O descrédito nos políticos de maneira geral - mas sem generalizar - é uma inegável realidade, porém o direito de expressar a opinião e o desejo de acertar na escolha – contribuindo para gerar desenvolvimento e melhor qualidade de vida - ainda motivam a população.
Dos cinco candidatos a prefeito de Araranguá, somente Cesar Cesa (MDB) já teve oportunidade de integrar a chamada “linha de frente” do Governo Municipal. Entre 2005 e 2008, ainda filiado ao PPS (atual Cidadania), ele foi vice-prefeito na chapa liderada pelo progressista Mariano Mazzuco Neto. Na época, Cesar cumpriu o mandato, mas não participou ativamente das ações. A justificativa pelo distanciamento é que, naquela ocasião, houve divergência política e administrativa entre os dois expoentes políticos municipais da época.
Essa crise de relacionamento entre prefeito e vice repete-se na atual Administração Municipal. Desta vez, os personagens são Mariano Mazzuco, chefe do executivo, e Primo Menegalli Júnior (PL), vice-prefeito, que embora democraticamente eleito, há tempos não está presente nos atos e decisões governamentais. Enfim, ele é vice-prefeito no papel, mas não na prática.
CANDIDATOS A VICE-PREFEITO
A chamada “síndrome do vice-prefeito de Araranguá” a ex-secretária municipal de Assistência Social, Claudete Bianchi (PRTB) foi enfática ao dizer: “Eu serei uma vice-prefeita atuante. Alguns assumiram a sua função e abandonaram o cargo. Considero isso um desrespeito com o povo araranguaense”.
Em caso de conquistar sucesso em seu projeto, Claudete pode tornar-se à primeira mulher eleita para o Executivo Araranguaense. Em 1947, a saudosa Alzira Rabelo Elias, popular Professora Zizinha, chegou a governar o Município temporariamente, mas não credenciou-se via eleição.
Já Tano Costa (PSD), também candidato a vice, foi o vereador mais votado nas eleições municipais de Araranguá em 2016, somando 1.870 sufrágios.
Mesmo com bom apelo popular no último pleito, abdicou do projeto de reeleição na Câmara para apostar em voo solo. Ele entende que pode ampliar seu espaço de atuação, se chegar ao Executivo.
O candidato a vice Eloir Ribeiro (PL) participa pela primeira vez de uma eleição municipal. Médico especializado em Ginecologia e Obstetrícia, ele mantém como foco à área da saúde pública. E essa será uma de suas bandeiras, na hipótese se eleito.
Por sua vez, Anisio Henrique Premoli (PDT), também candidato a vice, foi vereador entre 2009/2012. Também concorreu como vice-prefeito na chapa de Cesar Cesa em 2012 e como “cabeça de chapa” no pleito de 2016, sem lograr êxito nas duas situações. A pesar de não exercer mandato, ele intercedeu por melhorias no setor da saúde pública municipal.
E, finalmente, o candidato a vice pelo PSOL é Professor Cauê. Ele concorre pela primeira vez em uma eleição municipal, pregando a necessidade de renovação e inovação. Estudioso, Cauê considera que aplicar recursos na educação não são despesas, mas investimentos. Esse setor recebe atenção especial em seu plano de governo.
12,73 NOMES PARA CADA VAGA
O interesse por candidaturas ao Legislativo de Araranguá cresceu consideravelmente neste ano. Se nas eleições de 2012 eram 120 concorrentes, desta vez existem 191 nomes almejando ocupar uma Cadeira na Câmara de Vereadores. Isso representa a elevada média de 12,73 candidatos por cada uma das 15 cadeiras.
Em 2016, entre os vereadores eleitos, o que apresentou menor votação foi Diego Pires (PDT), com 692 sufrágios. Na época, o pedetista contabilizou quantidade inferior de votos do que Luiz Carlos Pessi (PP), mas elegeu-se devido a coligação proporcional, regra que foi abolida e, portanto, não vigora nesse pleito.
Até o pleito municipal anterior, os partidos coligados podiam lançar um número de candidatos correspondentes a 150% das cadeiras disponíveis na Câmara dos Vereadores (23, nomes caso de Araranguá). A partir deste ano, cada partido teve oportunidade de lançar esse número de candidaturas. Ou seja, isso justifica o aumento na quantidade de concorrentes e deve, ocasionar – ao menos em tese – uma maior divisão de votos.
Outro fator que ilustra esta perspectiva é que nomes tradicionais como Lourival Cabo Loro João, Alexandre Rezende Pereira, Arilton Costa, Daniel Viriato Afonso, Tano Costa, Luiz Djalma Marcelino (Luiz do Bailão) e Lulu Braz Paulino - por diferentes motivos - não estão na disputa por vaga na Câmara de Vereadores.