• Quinta-feira, 29 de Outubro de 2020
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As consequências da polarização do debate político no Brasil

É possível observar no mundo todo que o debate político vem parecendo cada vez mais uma briga de torcida de futebol. Não importa mais o que se está defendendo, mas quem está defendendo. As pessoas assumiram para si um pacote de opiniões que seus líderes formaram e as defendem com unhas e dentes como se fosse uma verdade absoluta, isso acontece em todos os campos do espectro político. Como dito anteriormente, esse fenômeno tomou proporções mundiais, mas me parece que é no Brasil que ele se torna mais caricato e literalmente protagoniza as discussões e debates políticos no país.

Vemos que duas forças completamente distintas do ponto de vista ideológico são as que influenciam as maiores massas de pessoas no debate brasileiro, o bolsonarismo e o lulismo. Teoricamente essas duas forças representariam um antagonismo de direita e esquerda, algo muito comum e com absolutamente nada de novo em qualquer nação civilizada, porém será que realmente se trata disso no Brasil? Será que essas duas correntes de força política se pautam por um debate ideológico de direita e esquerda? Eu acredito que não.

Esses dois lados se alimentam fortemente da polarização, ou seja, quanto mais o debate brasileiro for pautado na discussão quase que violenta entre petistas e bolsonaristas, mais esses mesmos dois lados saem fortalecidos. O resultado prático é o que estamos vivenciando em qualquer comentário político de rede social, pessoas se ofendendo por futilidades, discussões calorosas e infinitas entre pessoas que não estão dispostas a mudar de opinião, porém fazem questão de agir como soldados em defesa de seus respectivos líderes. Não há nesse debate uma proposta clara sobre uma possível solução para um problema brasileiro, se trata apenas de ofensas sobre quem seria o melhor ou o pior, ou quem deveria estar preso e quem não deveria.

A verdade é que o Brasil passa por diversos problemas complexos e antigos, o desemprego bate na porta de milhões de brasileiros todos os dias e a desigualdade na distribuição de renda mata crianças e adultos de fome.  Esses deveriam ser os eixos centrais de qualquer roda de discussão política, não importando qual a direção ideológica que se aponta para encontrar uma solução, existem propostas tanto à direita quando à esquerda para debater tais temas, e a discussão para encontrar qual seria a melhor solução para essas questões brasileiras é o que deveria nos motivar, já que se trata da vida cotidiana dos nossos compatriotas.

A conclusão que se tira é que enquanto ficarmos nos degolando para debater qual é o melhor caudilho, ou qual é o pior, as questões que realmente importam para a nação brasileira ficam em segundo plano. Enquanto isso, as duas correntes que parecem tanto se antagonizar e se colocam como inimigos mortais saem igualmente fortalecidas dessa mesma discussão, no final das contas são dois lados da mesma moeda. É preciso prestar atenção em quem de verdade oferece uma discussão racional e desapaixonada sobre o Brasil. Não importa qual a sua corrente ideológica, mas debater as questões brasileiras é o que vai levar nosso país para frente, no momento, a forte polarização e pobreza do debate estão nos levando para trás.

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