São 73 anos de vida e 42 anos como padre. Mas o sonho de infância era outro. O pequeno Antônio Moreira Borges, conhecido hoje como Padre Antônio Maria, queria ser cantor. Ele costumava cantar nas festinhas da escola, da catequese e todos elogiavam. E não é para menos: a voz do interprete de "Sonda-me" é capaz de emocionar quem a ouve.
"Minha irmã me incentivava muito. Eu costumava ir aos programas de auditório. Mas, aos 16 anos, Deus mostrou-me que o meu caminho seria outro. Então, depois de uma grande luta, me decidi e fui para um seminário", contou.
Em 1976 tonou-se padre e por quatro anos trabalhou em Portugal. Foi lá que começou a cantar nas homilias. "Quase que por acaso, inventei de cantar no dia 1 de maio, um canto para Nossa Senhora e todos gostaram". E assim surgiram as primeiras músicas gravadas do sacerdote. E até hoje a música o acompanha na vida religiosa.
“Mesmo quando eu não queria mais ser cantor. Mesmo quando eu queria apenas ser padre. No dia da minha ordenação, quando o bispo acabara de me ordenar padre, ele pediu para eu cantar um canto. Então, a primeiríssima coisa que fiz como padre foi cantar. E eu vi nisso Deus me dizendo: ‘Canta, Rapaz! Se te dei o dom da voz, canta e evangeliza cantando’”, revelou.
Carinho do povo
O sacerdote é conhecido por rezar missas e terços na TV Aparecida, bem como por seus duetos com famosos como Roberto Carlos e Agnaldo Rayol. Por conta disso e de seu carisma, conquistou a simpatia de muitos fiéis.
“Eu digo com muita alegria e sinceridade, isso me deixa muito feliz. Sou padre e quando vou cantar em algum lugar, não deixo de ser padre. O altar e o palco para mim são as mesmas coisas. As pessoas costumam pedir fotos porque eu apareço na TV ou sou amigo do Roberto Carlos. Mas eu não sou feliz por ser “famoso”, mas sim por levar o evangelho. Deus me usa como um instrumento”, revelou.
Devoção a Nossa Senhora
Padre Antônio Maria é filho e neto de portugueses. Estes são marianos. Desta forma, a devoção a Nossa Senhora vem de berço. “Tive uma vivência em que a mãe do céu, em sua imagem, visitou a minha casa. Ficou uma noite e um dia. Mamãe preparou um altar, pôs flores, acendeu lamparinas. E, vindo da escola, senti uma emoção muito grande em ver a sala da minha casa transformada numa catedral”, revelou.
Naquele dia, sozinho no cômodo, o pequeno Toninho notou que a imagem o acompanhava com os olhos. Uma técnica comum usada por muitos pintores, mas magnífica aos olhos de uma criança. “Botei na cabeça que a mãezinha do céu gostava de mim. E isso ficou na minha vida. Até hoje penso que ela gosta de mim e eu gosto dela. Foi uma vivência materializada em olhos cheios de ternura e cheios de amor”, explicou o padre.
Padres na era digital
Padres modernos, atuantes em redes sociais e que fazem sucesso entre públicos mais jovens. O padre Antônio Maria vê este tipo de fama com bons olhos. “Acho positivíssimo. Estamos obedecendo ao Espírito Santo que, através dos últimos Papas, tem nos dito sempre: Evangelizai com novos métodos e expressões. E é isso que os padres estão fazendo”, esclareceu.
Para ele, entretanto, padres cantores devem permanecer sempre, em primeiro lugar, padres. “A fama vem. A fama é uma cruz grande para todos que são famosos. Agora, se sou famoso por Jesus, eu quero ser famoso. Então, esses padres cantores devem ser instrumento de Deus para evangelizar. Se for só pela fama, só para aparecer, então é melhor que não sejam”.
2019, um ano pesado
O ano de 2019 começou conturbado, com muitas tragédias. E, para o sacerdote, todos os acontecimentos são formas de Deus chamar a nossa atenção. “Por isso, Jesus disse: ‘Olhai os lírios do campo, olhai as aves do céu. Assim como o pai cuida destes lírios e aves, ele cuida de vocês. Então, sejam filhos’. Jesus usa coisas bonitas para nos fazer acreditar no amor e na providência divina. Deus também usa fatos ruins para nos chamar atenção. Para que vejamos como somos débeis. Somos folhas jogadas ao vento, qualquer ventania pode nos levar”, pontuou.
O padre usou uma frase de um pensador espanhol para explicar a situação vivida no mundo atual: “O tigre não se destigra, mas ser humano se desumaniza. O que está acontecendo é a desumanização da humanidade. Tenho que cuidar para eu ser humano”.