O Pedro está começando a falar, isso significa que já conseguimos compreender melhor o que se passa naquela mini cabecinha e acredite: eu fico abismada em como subestimamos os raciocínios das crianças.
Porque temos a mania de achar que não entendem quando falamos ou fazemos algo “errado” na frente deles mas que entendem as ordens que damos a eles? Te peguei né? Quem nunca discutiu na frente da criança e disse “tá tudo bem tá?! Só estamos conversando, não precisa se assustar”? Mas quando eles desobedecem ficamos P´s da vida porque sabemos que estão fazendo aquilo de birra e não porque não sabem o correto. Talvez por isso eles se aproveitem da nossa ingenuidade de achar que eles são ingênuos. Captou?
Eu sempre tentei tratar o Pedro o mais na real possível, sem contar historinha pra boi dormir, falar aquelas bobiças que inventamos pra adoçar o mundo dos bebês ou fazê-los parar de chorar. Mas é impressionante como temos a mania de subestimá-los. Eu não sou especialista, portanto não sei dizer a vocês em que idade que a criança começa a entender cada coisa, mas ultimamente tenho acreditado que eles sempre sabem de tudo, que eles captam as coisas. Da forma doce e ingênua deles, mas captam.

Quando eu estava grávida me diziam para não me estressar e não ficar triste, porque o Pedro saberia e eu acreditava. E agora acredito ainda mais. Mas porque agora eu como porcaria na frente dele e não dou com a desculpa de que neném não pode comer aquilo ali, é cacaca. “Se é cacaca porque a mamãe está comendo?” É obvio que ele saca que eu não quero que ele coma aquilo não porque é nojento mas, por algum outro motivo. O fato é que eles sabem quando estamos os enganando.
Analisando os lados, de certa forma me assusto pois tenho que ser o mais real possível com ele, poxa ele está conhecendo o mundo com o meu auxílio, vou mentir? Quero que ele seja aquelas crianças inteligentes que dão respostas mais inteligentes ainda aos adultos, não aquelas crianças condicionadas a acreditar e repetir aquelas mentirinhas dos pais de tipo “depois a gente volta aqui na loja pra buscar”. Meu dever é mostrar a vida como ela é; claro que de uma forma filtrada para que ele não perca o encanto da infância mas de uma forma real para que ele cresça sabendo a verdade das coisas.

De outra forma me alivio, porque posso dar a mim a certeza de que ele já entende o que deve fazer ou não. Ele sabe que não pode mexer em determinados lugares nem subir de calçado na cama. Não faz aquilo porque não entende que é errado, faz pra provocar, pra ver qual a minha reação, pois é isso que crianças em fase de terrible two fazem. E faz parte mas eu tenho que educar.
Finalizando, queria dizer o quanto esta fase é mágica, quero falar mais sobre o momento em que eles começam a falar por isso não vou me estender aqui, mas só queria compartilhar o quão incrível é podermos iniciar pequenas conversas e incentivar vocês leitores a de fato dialogarem com seus bebês; as respostas são curtas, são palavras para ser mais exata, mas por menores e mais enroladas que elas estejam tem um poder incrível: de nos mostrar que eles já são pessoas com sentimentos, opiniões e conhecimentos e já temos a possibilidade de compreender um pouco mais do que passa por ali.
Com muito carinho, compartilho mais este tópico contigo! Espero que tenha gostado.
Por Sofia Dessuy