Seguidamente volta à tona o debate sobre a recuperação e melhor aproveitamento da área onde ficava localizado o antigo engenho do saudoso ex-prefeito e empreendedor Valter Belinzoni. Nessa semana foi à vez do vereador Adão dos Santos Vieira, popular Vidrinho, conquistar aprovação de indicação para que a prefeitura providencie a implantação de uma academia “ao ar livre” e intensifique ações visando tomar aquele local como patrimônio púbico municipal. A proposta teve 100% de respaldo dos colegas da Câmara Municipal, mas sua eficácia é duvidosa, até porque falta pouco mais de um semestre para o encerramento do atual mandato.
Situado em frente ao Açude Belinzoni, o terreno onde funcionava o engenho está há anos abandonado pelo poder público. Esporádicas limpezas são feitas ali, mas o local abriga extensa vegetação, servindo para o ilegal descarte de lixo e entulhos, abrigo para usuários de drogas e delinquentes. Do antigo engenho, a única herança é o imponente chaminé edificado com tijolos. De tempos em tempos, alguns vereadores solicitam obras e revitalização desse espaço, mas essas melhorias nunca saíram do papel. Pelo contrário. A cada dia o local está mais abandonado e danificado pelo vandalismo e intempéries.
Tradição
O auge do Engenho Belinzoni ocorreu entre o final da década de 40 até os anos 60. Araranguá tem histórica vocação agrícola e, nesse contexto, o plantio e cultivo da mandioca sempre tiveram destaque.
Na época, o produto era utilizado, em grande escala, como matéria prima pelos engenhos que produziam uma apreciada farinha. O Engenho Belinzoni era o mais tradicional do município, contribuindo para gerar emprego, renda para as famílias e circulação de riqueza (por meio de impostos). A cadeia produtiva abrangia diferentes segmentos, como agricultores, transportadores (a maioria utilizando carros de boi), vendedores e comerciantes.
Visionário
Walter Belinzoni, gaúcho e natural de Porto Alegre casou-se com à araranguaense Maria Barbosa em 1943, instalando-se na Cidade das Avenidas em 1946.
Extremamente reservado e caseiro, o casal realizava muitas ações assistenciais e filantrópicas. Em 1951, Walter elegeu-se prefeito, apresentando uma gestão realizadora e inovadora.
Já em 6 de agosto de 1991 ele simplesmente sumiu. Até hoje não se sabe em que circunstâncias isso ocorreu. O ex-prefeito, no entanto, deixou um legado de obras e bondade, escrevendo seu nome da história de Araranguá e região.