Cidades mais afetadas no Sul foram as localizadas no costão da serra.
O ciclone extratropical não deixou vítimas no Sul Catarinense, mas trouxe danos expressivos à agricultura. Ainda contabilizando os estragos na região, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) já estima um prejuízo na casa dos milhões de reais. As culturas mais prejudicadas foram da banana, milho e maracujá, principalmente nos municípios que compõem o costão da serra, do Extremo Sul a Lauro Müller.
“Em Praia Grande foi bastante comprometido. Terça-feira, por volta das 20h às 22h, as rajadas estavam bem fortes. Depois, de madrugada, também. Os números preliminares apontam que as perdas no campo acarretarão em mais de R$ 5 milhões aos agricultores”, avalia Edson Borba, coordenador regional da Epagri. Os estudos do órgão calculam que a área afetada da banana, no município, foi de 350 hectares. A segunda safra do milho teve 150 hectares perdidos e, do maracujá, 35 hectares.
Além dos danos na agricultura, residências e escolas ficaram destelhadas após a passagem do ciclone. Ontem, todas as aulas do município foram canceladas para a manutenção das unidades educacionais. Timbé do Sul, Jacinto Machado, Morro Grande também sentiram os estragos do Ciclone Yakecan. Na Região Carbonífera (Amrec), os ventos mais fortes também foram registrados no pé da Serra Geral, em Siderópolis, Treviso e Lauro Müller. “Todas as cidades da encosta foram onde o vento foi mais forte, trazendo mais prejuízos”, informa. A banana foi um dos cultivos mais afetados justamente por ser o predominante nesta época do ano. “É o que possui a maior área de produção na encosta”, acrescenta.
As rajadas de aproximadamente 100 quilômetros por hora foram responsáveis por derrubar milhares de bananeiras e desfolhar outras incontáveis. “Onde aconteceu apenas a desfolha, o prejuízo não é tão grande, como aconteceu em algumas áreas produtivas de Criciúma. Mas, quando a planta vem abaixo, o prejuízo é para agora e para os próximos meses, porque irão demorar mais a voltar a produzir novamente”, explica Borba.
Aviário é destruído em Treviso
A força do vento derrubou um aviário localizado na comunidade de Cirenaica, em Treviso, na madrugada de quarta-feira. A estrutura do telhado caiu sobre os equipamentos, causando um prejuízo estimado em R$ 600 mil. “Outros destelhamentos aconteceram em Lauro Müller e Siderópolis, assim como a queda de árvores. À medida que o pessoal vai levantando as perdas, a conta vai subindo, principalmente relacionadas às construções”, comenta.
Siderópolis teve a rajada mais forte
Pela segunda noite consecutiva, Siderópolis registrou a rajada de vento mais forte, com 108 quilômetros por hora, na Barragem do Rio São Bento. “É bom fazermos a observação que só registramos aonde existe a estação medindo a velocidade. Pode ser que tenha acontecido rajadas maiores em outros locais, mas que não foi medido. Por ser uma região aberta, em função da barragem, normalmente costuma ocorrer ventos mais fortes”, pontua. Em Criciúma, a maior medição foi de 62 quilômetros por hora. “Na cidade, o que mais prejudicou foram as folhas rasgadas. Isso faz com que o fruto sofra perdas na produtividade, mas não causa o comprometimento da colheita”, destaca.
Ciclone já perdeu força
O ponto alto do Ciclone Yakecan ocorreu entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta-feira. A partir da manhã de ontem, o fenômeno tomou a direção do alto-mar e se afastou do litoral Sul Catarinense.
O maior número de destelhamentos se concentrou em Treviso, nas localidades de Cerenaica, Brasília e Santa Cruz, com dezenas de residências. “A Defesa Civil levou rolos de lona para distribuir à população para se protegerem da chuva”, afirma Rosinei da Silveira, coordenador regional da Defesa Civil. Outras ocorrências foram registradas em Siderópolis, Nova Veneza e Forquilhinha.
Alguns galhos caíram sobre a rede elétrica e causaram apagões, como aconteceu em Treviso e em outros municípios. Em Criciúma, a maior parte de chamados esteve exatamente relacionada à queda de galhos e árvores. “Nada muito grave”, informa Rosinei.
Maré de ressaca no Rincão não causa danos
Segundo o coordenador, o mar do Balneário Rincão invadiu toda a faixa de areia e avançou sobre as dunas, mas não chegou a invadir o perímetro urbano. “Não tiveram estragos na cidade. O caso do Rincão é diferenciado de outras situações, como Florianópolis e as praias do Litoral Norte. Aqui, temos as dunas preservadas, o que é um fator positivo nos efeitos da maré alta, protegendo as casas e estradas. Essa é a importância de preservarmos as dunas”, pondera.
Fonte: TN Sul