Programação gratuita acontece neste sábado e domingo, em Praia Grande, reunindo produtores, artesãos, artistas e iniciativas ligadas à cultura e ao modo de vida local
O alimento saudável que chega à mesa carrega uma memória que nasce no solo, passa pelas mãos plantam e colhem e ganha forma nos saberes de quem prepara. É a partir dessas relações entre terra, trabalho e conhecimento que o Circuito Rede Viva – Economia Criativa e Solidária de Base Comunitária realiza mais uma edição neste final de semana, em Praia Grande (SC). No feriadão da Independência, sábado (5) e domingo (6), terá uma programação gratuita na Praça São Sebastião.
A programação reúne cerca de 50 expositores da Feira de Economia Solidária, que se manifesta como uma Feira Viva, com destaque para a cultura alimentar e oficinas. A proposta é revelar o que existe por trás de cada produção, quando os próprios expositores apresentarão seus modos de fazer e o público poderá acompanhar parte do caminho percorrido por um produto, desde a matéria-prima até o resultado final.
“Na Feira Viva, quem produz também ensina. A pessoa pode conhecer a origem de um alimento ou peça de artesanato, acompanhar um modo de fazer, experimentar, perguntar e conversar com quem carrega aquele conhecimento. É uma forma de valorizar os saberes da base comunitária e mostrar que economia solidária também é partilha, autonomia e reconhecimento do trabalho de quem vive e produz no território”, explica Cíntia Juliana Bif, uma das idealizadoras do evento.
A iniciativa dialoga diretamente com a vocação de Praia Grande e da região, onde agricultura familiar, artesanato, gastronomia, cultura e o ecoturismo estão cada vez mais conectados. “Nesse contexto, o visitante encontrará, além da paisagem para contemplar, pessoas, histórias, produtos e conhecimentos que ajudam a compreender o lugar”, completa Patricia Lemos, também da equipe de organização do Circuito.
Almoço na praça e cultura alimentar
A Praça de Alimentação da Agricultura Familiar será um dos pontos de encontro do Circuito. A partir de R$ 20, será possível fazer refeições preparadas na hora por produtores locais, além de outros quitutes artesanais e orgânicos, a partir de R, com receitas ligadas à tradição alimentar da região.
O cardápio traz risotos de cogumelo – cultivado em Praia Grande – e de frango, massas caseiras, pastéis, entrevero no pão, roscas de polvilho, biscoitos, café orgânico, opções veganas como hambúrgueres e quiches, queijos, salames, geleias, pães caseiros, cucas, sucos orgânicos, conservas, entre outras opções.
A curadoria do cardápio também faz parte da proposta do Circuito. “A cultura alimentar é uma maneira de contar de onde uma comunidade veio e como construiu sua relação com a terra. Está presente nas sementes escolhidas, nas épocas de plantio e colheita, nos ingredientes disponíveis em cada estação e nas receitas que atravessam gerações. Aipim, banana, cana-de-açúcar, mel, maracujá e açaí, por exemplo, fazem parte da paisagem e da mesa das famílias do território. No Circuito Rede Viva, esses ingredientes aparecem transformados em alimentos, produtos e histórias, aproximando quem consome de quem planta, colhe, prepara e comercializa”, detalha Cíntia.
Feira Viva com oficinas gratuitas
A partilha de saberes é uma das bases do Circuito. Por isso, as oficinas ocupam lugar central na programação e aproximam o público de conhecimentos que muitas vezes permanecem restritos ao cotidiano de quem produz. Será uma experiência em que mestres da agricultura familiar e do artesanato abrem seus modos de fazer para o público, compartilhando gratuitamente técnicas, histórias e experiências.
Entre as atividades está a oficina de vinho de bergamota, conduzida por Pedro Pedroso, de Maquiné (RS). Também será demonstrada a produção de verniz ecológico a partir de geoprópolis e óleo usado, com Marcelo Gonçalves, da Produtos da Colmeia, de Balneário Gaivota (SC). A relação entre agricultura, artesanato e sustentabilidade aparece ainda na oficina de papel de fibra de bananeira, com Sandra Canella, de Praia Grande; e na produção de cestos com a mesma fibra, apresentada por Marciana Vila Matos, de Criciúma (SC). A proposta é mostrar como cada elemento da própria paisagem produtiva pode ganhar novos usos e permanecer dentro de uma lógica de aproveitamento e criação.
O café orgânico produzido em Praia Grande também terá espaço, com Maria Bernadete Perius e Sílvio Daufenbach, que falarão sobre a origem do grão, a história da produção de café na cidade e demonstrarão etapas do processo, como a torra e a moagem. Na oficina “Do plantio à mesa”, Maria Bernadete ainda apresenta o processo de produção das tradicionais roscas de polvilho.
A programação da Feira Viva será completada por uma apresentação e degustação de queijos, geleias e produtos de charcutaria, conduzida por Daiane Costa, de Araranguá (SC), e Tailane Santos, de Praia Grande.
A iniciativa é do Coletivo Multicultural dos Cânions, em projeto contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) Ciclo 2/2026 – Edital Mais Cultura em Praia Grande, e conta com o apoio das secretarias de Cultura e Educação de Praia Grande, Samae – Água dos Canyons, Ceprag, RMS e Geoparque Caminhos dos Canyons do Sul. Mais informações no Instagram @festivaldoscanions.
CIRCUITO REDE VIVA - ECONOMIA CRIATIVA E SOLIDÁRIA DE BASE COMUNITÁRIA