O colorido das páginas, a atenção das crianças e a mediação cuidadosa da autora marcaram a manhã deste sábado (21/3) na Biblioteca Eurico Back, na Unesc. O lançamento de “Helena e os Heróis da Alimentação”, da nutricionista Vitória Gomes Alano, reuniu o público em torno de uma proposta que articula literatura e nutrição por meio da imaginação.
A obra, publicada pela Editora da Unesc (Ediunesc), insere-se em um contexto de debate sobre hábitos alimentares na infância. Com narrativa acessível e visualmente atrativa, o livro estrutura um percurso formativo que busca reconfigurar a forma como crianças percebem os alimentos, ao deslocar o enfoque técnico para um universo simbólico.
“A ideia surgiu da minha prática como nutricionista. No dia a dia com as crianças, eu sentia dificuldade em explicar a alimentação de um jeito que realmente fizesse sentido para elas, porque muitas vezes isso fica técnico e não conecta com a forma como entendem. Eu sentia falta de um material mais leve. A Helena representa essa dificuldade que algumas crianças têm com a comida”, afirma Vitória.
Da prática clínica à narrativa infantil
Durante o evento, a leitura mediada abriu espaço para interação com o público infantil, seguida de atividades que estimularam o diálogo e a experimentação. A dinâmica construiu uma atmosfera de troca, na qual o conteúdo da obra saiu das páginas e ganhou materialidade na experiência coletiva.
Conforme a autora, a ideia é ensinar por meio da curiosidade, já que a história apresenta os alimentos de forma divertida, com os “heróis”. “Eu pensei em transformar algo mais técnico, como os grupos alimentares, em algo que a criança conseguisse imaginar. Por isso surgiram os ‘heróis da alimentação’, cada um com uma função”, enfatiza.
“Fica mais fácil para a criança entender quando associa, por exemplo, que um alimento dá energia e outro ajuda o corpo a crescer, do que quando isso é explicado de forma direta. Isso faz com que passe a olhar para a comida de maneira diferente. Não é sobre fazê-la comer, mas sobre entender e se envolver com aquilo”, acrescenta Vitória.
Imaginação como estratégia de educação alimentar
A proposta dialoga com um cenário mais amplo, marcado pela presença crescente de padrões alimentares menos saudáveis entre crianças. Nesse contexto, a literatura infantil se apresenta como ferramenta de mitigação, ao atuar na formação de hábitos de forma indireta, porém duradoura, com impacto no processo formativo.
“A literatura chega até as crianças por meio da imaginação. Quando entra na história, ela não sente que está sendo ensinada, mas vivendo aquilo. A relação com a comida se constrói na experiência, no que a criança sente e no que imagina”, conclui.
Nutrição na infância e impacto na saúde ao longo da vida
A centralidade da alimentação nos primeiros anos também encontra respaldo na área médica, sobretudo na prevenção de doenças e na redução de agravos ao longo da vida. Conforme o médico Kaleb Alexandre Régio Gomes, que participou do lançamento do livro, o trabalho desenvolvido na infância dialoga com a prática clínica futura.
“Quando o trabalho da nutrição é bem feito na infância, a nossa demanda diminui significativamente, o que percebemos na prática. Uma nutrição adequada desde cedo reduz os agravos de saúde, diminui a incidência de doenças e torna o nosso trabalho muito mais leve”, afirma.
Para ele, a relação estabelece um impacto direto na estrutura do sistema de saúde, ao reduzir a ocorrência de quadros mais graves ao longo da vida. “Fico satisfeito em afirmar que, quanto melhor for o trabalho com a nutrição infantil, menor é o nosso trabalho no futuro, especialmente no que diz respeito às doenças mais graves. Estamos falando de formar pessoas mais saudáveis, o que naturalmente facilita também a atuação médica e reduz a sobrecarga do sistema de saúde”, acrescenta.
Entre os principais agravos que podem ser evitados com uma boa nutrição na infância, o médico destaca as doenças cardiovasculares, que concentram elevada taxa de morbidade e mortalidade. “Elas são responsáveis por uma parcela significativa dos casos graves. Outra preocupação está relacionada ao câncer, que aumenta à medida que nos tornamos um país mais desenvolvido, mas pode ser prevenido, em grande parte, por meio de uma alimentação saudável e de hábitos de vida equilibrados”, finaliza.
Selos diversificados
P
ara o editor-chefe da Editora Unesc, professor Dimas de Oliveira Estevam, o papel de uma Editora Universitária é tornar pública a produção interna e também dar voz à sociedade. “Quando percebemos o potencial de uma proposta, buscamos orientar e incentivar”, destaca Estevam.
A EdiUnesc conta com três selos editoriais: o EdiUnesc, voltado à produção científica; o Saber Acadêmico, para trabalhos universitários em formato acessível; e o Saber Comunitário, que acolhe obras vindas da comunidade com processos editoriais simplificados, mas sem perder o rigor técnico.
“O Selo Saber Comunitário tem como objetivo atender demandas da comunidade regional, muitas vezes relacionadas a histórias familiares, à cultura popular ou temas de interesse social. Um dos papéis da Editora é preservar a memória da região para que ela não se perca com o tempo”, destaca o professor.
Além de fomentar a ciência, conforme ele, a Editora tem investido em literatura infantil.
“Percebemos que o mercado de literatura infantil está em expansão e também passamos a investir nessa área. Já temos algumas obras publicadas nos últimos anos e queremos fortalecer esse segmento”, salienta o professor.
Ele explica que o primeiro passo para publicação é apresentar a proposta à Editora. “O autor ou autora deve procurar a equipe para mostrar o que produziu e a possibilidade de transformar esse material em uma obra publicada. Temos uma equipe preparada para analisar, sugerir melhorias e organizar o livro”, afirma.
Para mais informações o interessado pode entrar contato com a editora, por meio dos seguintes canais:
Presencial: Bloco Administrativo, Sala 35, no horário comercial de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h. Pelo telefone: (48) 3431.2718 ou enviando E-mail: editora@unes