Sargento aparece em vídeo chamando mulher de macaca e dizendo ser racista.
A Polícia Civil de São Ludgero finalizou e encaminhou ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) nesta terça-feira, dia 28, o inquérito policial que investigou um sargento da reserva que aparece em um vídeo chamando uma mulher de macaca e admitindo ser racista. O suspeito foi indiciado por três crimes, além de uma contravenção penal.
O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil no dia 17 de setembro após as imagens circularem. Em um primeiro momento, o inquérito policial foi instaurado para apurar o crime de racismo, mas, ao longo das investigações, outros delitos foram elucidados. “Apurou-se também que ele havia cometido violência doméstica contra esta mulher. No depoimento a vítima relatou ter sido agredida na noite anterior a gravação do vídeo. E ela resolveu gravar, porque vinha sofrendo violência. Ela disse ter levado um tapa e uma chinelada”, afirmou o delegado Éder Mattel, responsável pelas investigações.
O policial militar da reserva negou que tivesse um relacionamento com a mulher e disse não ser racista, alegando que o que falou no vídeo tinha “sido um momento de nervosismo”. “Entretanto, durante o interrogatório, ele mesmo relatou que durante a sua profissão, enquanto desenvolveu a função de policial militar, as ocorrências que envolviam pessoas negras eram mais complicadas, que todas as ocorrências sempre davam trabalho”, acrescentou o delegado.
Vítima confirma relacionamento
Contradizendo o sargento, a vítima, que é natural do Estado de Alagoas, confirmou que estava em um relacionamento com o investigado. Para a Polícia Civil ela disse que estava há 15 dias em São Ludgero. “Ela chegou a ficar em situação de abandono, já que após a briga e a gravação do vídeo, ele (o policial) sai da cidade, deixa o Estado e ela fica desamparada aqui, não tendo condições de retornar para a sua cidade natal. Fizemos contato com a Assistência Social de São Ludgero que prontamente nos atendeu e forneceu a passagem para ela retornar para Alagoas. Na última sexta-feira ela foi encaminhada ao aeroporto e hoje está em sua residência com seus familiares”, informou Mattel.
Segundo o delegado, é papel da Polícia Civil evitar que violações como o caso do policial militar da reserva aconteça. “A Polícia Civil não aceita isso. É uma das violências mais graves que se pode cometer contra uma pessoa, que é tentar diferenciar ela por conta da sua cor, raça ou orientação sexual”, pontuou.
Ao fim do inquérito, o delegado resolveu indiciar o acusado pelos crimes de racismo, ameça e injúria racial qualificada pelo preconceito. Ele também responderá pela contravenção penal de vias de fato, já que a vítima não apresentava lesão corporal. Somadas, as penas podem chegar até seis anos e nove meses de reclusão. O sargento da reserva responde ao processo em liberdade. O policial militar pode ser enquadrado em mais crimes pelo MPSC.
Fonte: Portal Engeplus