“Raspa do tacho” é o termo usado na culinária caseira quando se prepara um alimento, especialmente doce, aquecido no fogão a lenha e aquele “restinho”, no fundo da panela, é saboreado vagarosamente como se fosse um verdadeiro manjar.
No setor público, no entanto, “raspa do tacho” é o jargão utilizado para definir quando os cofres estão praticamente vazios, ou existe carência de recursos em caixa para investimentos autônomos.
E essa deve ser justamente a situação herdada pela administração Cesar Cesa (MDB) - Tano Costa (PSD). Assim, ao menos no primeiro ano de mandato fica difícil, praticamente impossível, colocar em prática a sonhada reforma administrativa. Projetos anunciados durante à campanha- escola integral, creche noturna, reativação da FME, implantação do Mercado Público Municipal e da coleta seletiva de lixo – não devem ser implantados a curto prazo.
E não é só isso: aliados do futuro governo municipal, cuja Coligação “Mudança Certa” agregou, além do MDB, PSD, Republicanos e PSDB, precisarão ter calma e compreensão no que refere-se a indicação de cargos comissionados, pois a realidade financeira parece inviabilizar contratações, sugerindo o oposto disso, o que significa exonerações.
Enfim, capacidade de investimento e “dinheiro em caixa” são situações bem distintas.
ELEIÇÕES NA CÂMARA
Paralelo ao cenário administrativo, o governo municipal eleito para o mandato 2021-2024 vacila ao não envolver-se diretamente ou postergar articulações importantes como a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores. Um dos nomes cotados para a presidência da Casa é Pedro Paulo de Souza, o Paulinho (PSD), que na última semana recebeu concorrência do grupo de oposição, cujo nome sugerido para a presidência é Diego Pires (PDT).
Curiosamente, os dois favoritos para ocupar a presidência são os mais votados no pleito deste ano: Paulinho Souza somou 1.365 votos, contra 1.156 sufrágios de Diego Pires.
O Legislativo Araranguaense promoverá sessões nos dias 7 e 9 de dezembro, finalizando o calendário de sessões do atual mandato. Já em 16 de dezembro, quarta-feira, a partir das 17h, ocorre a solenidade online (devido a pandemia) para diplomação dos vereadores eleitos.
“BRAÇO DIREITO” DO FUTURO PREFEITO
Embora nenhum nome tenha sido anunciado oficialmente, o governo municipal eleito intensifica ações visando definir a cúpula da equipe de trabalho e, ao mesmo tempo dedica-se a transição, com a finalidade de apurar a situação do poder público municipal.
Ex-presidente da Câmara de Araranguá, vereador por dois mandatos, Volnei Roniel Bianchin da Silva, o Rony da Silva, será o chefe de gabinete do prefeito Cesar Cesa. Ele, inclusive lidera, ao lado de Giancarlo Soares de Souza e de João Inácio Barbosa, o processo de transição entre o atual e futuro governo municipal.
Ao aceitar o convite para trabalhar na Prefeitura Municipal, Rony da Silva estará abdicando do salário bruto de R$ 19.957,26, que recebe mensalmente como assessor da Assembleia Legislativa Catarinense lotado gabinete do deputado estadual Volnei Weber (MDB), para fazer jus a remuneração líquida mensal de R$ 8.746,85 como Chefe de Gabinete..
Além de conhecer cada "palmo do município", Rony da Silva, ex-assessor do “eterno” deputado estadual Manoel Mota (MDB) - que sabe como poucos os atalhos para captar emendas parlamentares junto a deputados estaduais, federais e senadores - estaria retomando o convívio diário com a família, evitando o constante “vai e vem” para Florianópolis.
NÚMEROS NÃO MENTEM
As Eleições Municipais servem de subsídio para muitas reflexões. Vejamos o caso do deputado estadual Rodrigo Minotto (PDT), que em 2018, ao somar 26.623 votos, reelegeu-se para o Parlamento Catarinense, mas no pleito do dia 15 de novembro deste ano, não teve um bom desempenho na disputa pela Prefeitura de Criciúma.
No pleito local, ele contabilizou 4.195 votos, ficando atrás do prefeito reeleito Clésio Salvaro (PSDB), que totalizou 71.615 votos, Aníbal Dário (MDB), 10.707 sufrágios e Júlia Zanatta (PL), com 6.953 votos.
Claro que os pleitos em nível estadual e municipal oferecem características diferentes, mas em todas as análises, os números jamais devem ser descartados. Esse detalhe requer atenção até no caso de Minottto, fiel escudeiro do governador Carlos Moisés na Assembleia Legislativa e deputado presente em várias ações na região sul do estado.
DOBRADINHA PROGRESSISTA?
Na vida, às vezes é preciso regredir um passo para em seguida tentar dar dois passos à frente. Na política, a situação não é diferente! Com o crescimento da possibilidade de Jorge Boeira (PP), ex-deputado estadual, voltar a disputar uma vaga para a Câmara dos Deputados, o ex-prefeito de Sombrio e deputado estadual de três mandatos, José Milton Scheffer (PP) praticamente aborta o plano de alçar voo solo para o Parlamento Federal em 2022. A tendência é que Zé Milton opte por fazer “dobradinha”, com Boeira (quarta foto).
Sobram motivos capazes de justificar essa eventual decisão. Em 2010, Zé Milton elegeu-se deputado estadual, com 38.542 votos. Já em 2014 somou 49.4889 sufrágios, mas em 2018 teve respaldo nas urnas de 39.196 eleitores.
Além disso, Jorge Boeira - que completou 65 anos nesse sábado, dia 5 – seria um forte nome para a Câmara Federal, o que impulsionaria a campanha de Zé Milton, numa eventual dobradinha.
Nos bastidores políticos, interlocutores apostam que Jorge Boeira (PP) vai voltar à disputar uma eleição. Há indícios disso. Em várias manifestações sobre o encerramento de seu ciclo à frente da Prefeitura de Araranguá, o prefeito Mariano Mazzuco Neto (PP) não desperdiça a oportunidade de exaltar a intercessão do seu colega de partido, Jorge Boeira, na liberação de emendas parlamentares para a construção de várias obras como, por exemplo, creches, escolas e a Arena Poliesportiva Municipal Professor Nilson Matos Pereira.