Atendendo ao Requerimento nº 161/2025, de autoria do presidente da Câmara, vereador Paulinho Souza, o advogado William Lourival João fez uso da Tribuna durante a sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Araranguá, realizada na noite de segunda-feira (18), para abordar os impactos das intervenções viárias em execução pela empresa CCR Via Costeira, na via lateral da BR-101, no bairro Polícia Rodoviária.
A solicitação do presidente teve como justificativa a preocupação com a modificação no trânsito local, especialmente com a possível transformação da via de mão dupla para mão única, o que, segundo a comunidade, acarretará sérios prejuízos à mobilidade, ao comércio local e à segurança dos moradores.
Em sua fala, o advogado representou os moradores e pequenos empresários da região compreendida entre os KMs 412 e 415. De forma clara e objetiva, destacou que a comunidade não é contrária às melhorias promovidas na rodovia, mas exige que o direito de acesso seguro às suas residências e comércios seja respeitado. “Os moradores não vêm aqui para impedir melhorias. São a favor da segurança e da fluidez do tráfego. O que eles pedem é muito simples e razoável: manter um acesso seguro às suas casas e empresas, sem que a BR-101 seja o único caminho viável”.
William também explicou os pontos mais críticos do projeto apresentado pela CCR, apontando duas mudanças principais: a remoção do atual acesso da BR-101 para a marginal, e a transformação da via de mão dupla em mão única, o que forçará motoristas a percorrer trajetos significativamente mais longos e menos seguros. “O efeito prático disso são percursos maiores, mais tempo no trânsito, mais custo para quem trabalha e mora ali, e aumento de risco em vias internas que passarão a receber um fluxo para o qual não estão preparadas”, alertou.
O advogado ainda enfatizou que, embora tecnicamente o acesso continue existindo, ele será pior, mais longo e menos eficiente, com impactos diretos sobre a economia local e a qualidade de vida da população do bairro Polícia Rodoviária. Ele fez um apelo aos vereadores para que se unam à comunidade e ajudem a buscar uma suspensão temporária das alterações, até que uma nova avaliação técnica seja feita com participação dos moradores e dos órgãos responsáveis. “Pedimos o apoio desta Casa. A comunidade está organizada e colaborativa, mas precisa da força dos seus representantes para enfrentar essa situação que, para muitos, não será apenas um incômodo, mas um prejuízo real”, concluiu.
O presidente Paulinho Souza reforçou o compromisso da Câmara com a causa e exemplificou situações que poderão ocorrer. “Essa mudança vai obrigar famílias inteiras a acessarem a BR em trechos perigosos. Imagine uma senhora de moto tendo que enfrentar caminhões a 90 km/h em pleno inverno. Há várias famílias ali nas proximidades, então toda essa comunidade vai ter que pegar a autoestrada, fazer o retorno lá na Operária e retornar, para ir pela lateral com mais segurança. Realmente fica muito difícil e inseguro”, disse, ressaltando que na sessão de quarta-feira irá apresentar requerimento dirigido à CCR e à ANTT, e solicitar oficialmente a reavaliação do projeto.