Por Carlos Moisés da Silva - ex-governador de Santa Catarina.
O futuro não perdoará nações cujos líderes ignorem a urgência climática ou a ética tecnológica, e o Brasil tem a oportunidade de converter sua resiliência histórica em liderança propositiva, desde que seus agentes políticos sejam capazes de superar a polarização paralisante e focar em políticas de Estado, que unam produtividade digital e hegemonia verde.
Para que o ano de 2026 seja melhor, precisa afastar o Brasil da promessa do “país do futuro" fazendo com que sejamos o pilar da estabilidade e da inovação que o século XXI exige. O destino da nossa nação depende da coragem de transformar alguns desafios globais em vantagens estratégicas, algumas das quais o Brasil já desponta como líder.
O mundo hoje atravessa o que historiadores e economistas chamam de "policrise", um momento onde desafios climáticos, fragmentação geopolítica e saltos tecnológicos se fundem em um cenário de incertezas sem precedentes. Para a humanidade, o relógio corre contra o tempo na adaptação aos eventos climáticos extremos e na mitigação de riscos existenciais, como a desinformação em massa alimentada por inteligências artificiais e a erosão da coesão social. Nesse tabuleiro global multipolar e instável, o Brasil emerge não como um coadjuvante em busca de estabilidade, mas como uma peça estratégica capaz de oferecer soluções cruciais para as duas maiores transformações do século: a digital e a ecológica, ambas clamando por uma coordenação política que abandone o imediatismo eleitoral em favor de uma visão de Estado de longo prazo.
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista e já está presente na espinha dorsal da produtividade brasileira. Em 2026, o Brasil vem se destacando globalmente pela velocidade com que adotou essas ferramentas de IA, porém, essa aceleração traz consigo um desafio social de magnitude comparável à revolução industrial. O grande desafio nacional não é mais apenas o acesso à rede, mas a requalificação profunda de milhões de cidadãos. Nesse sentido, agentes políticos devem atuar como facilitadores de um novo "pacto educacional digital".
Cabe ao Congresso Nacional e ao Poder Executivo a criação de marcos regulatórios que protejam os direitos trabalhistas sem asfixiar a inovação, garantindo um planejamento executado com investimentos reais em infraestrutura de dados e soberania tecnológica, evitando que o Brasil seja apenas um consumidor passivo de tecnologias estrangeiras.
Paralelamente à revolução tecnológica, o Brasil consolidou sua posição como a primeira Superpotência da Natureza, em um planeta sedento por descarbonização, possuindo a matriz energética mais limpa dentre os países que integram o G20 e a maior biodiversidade do mundo, o que não é apenas um título de prestígio, mas o centro de uma nova estratégia econômica. Líderes brasileiros têm o dever de converter essa vantagem em política externa e industrial. Isso exige que governos federal e estaduais, se alinhem para combater o desmatamento ilegal e promover a segurança jurídica necessária para atrair o mercado global de créditos de carbono. O papel da política de hoje é ser o arquiteto de uma bioeconomia que integre o agronegócio de alta tecnologia com a preservação ambiental, transformando a transição energética em uma mola propulsora para o crescimento.
A integração entre a inovação digital e a sustentabilidade ambiental só ocorrerá se houver estabilidade institucional e reformas que desonerem os investimentos em tecnologia limpa. O papel do cidadão brasileiro é escolher líderes entre as pessoas, que sejam capazes de fomentar o progresso tecnológico e remover os entraves do custo Brasil, garantindo a estabilidade de pilares da dignidade humana, dentre eles a eficiência em saneamento básico e a segurança pública, que representam o calcanhar de aquiles nos dias de hoje. Nessas bases, a revolução tecnológica que já chegou, terá menores impactos negativos na empregabilidade e sustentabilidade social.
No encontro entre a política e os fatos, nosso papel enquanto cidadãos é rechaçar manipulações que possam, por meio de dúvidas ou desinformação, desestabilizar o país em ano eleitoral. São Tomé nos dias de hoje teria muitos desafios, pois nem tudo o que é visto, de fato existe. Estejamos atentos!