Mercado eleitoral catarinense nutre a falsa expectativa de que o candidato do PT ao Governo do Estado, Décio Lima, irá fazer dobradinha quase integral com o ex-presidente Lula da Silva (PT). Em linhas gerais, mesmo políticos experientes estão supondo que Décio fará pelo menos dois terços dos votos que Lula venha a fazer no primeiro turno em Santa Catarina, o que, poderia lhe colocar no segundo turno da eleição estadual.
Este pensamento parte de uma lógica bastante primária, dando conta que o eleitor de Lula, em maioria, seria também eleitor de Décio, ou, mais que isto, seria um eleitor petista. O fato é que o histórico de votação do PT em Santa Catarina não sustenta esta tese, como também não há lastro na Ciência Política para balizá-la. Primeiro, porque o eleitor de Lula não é necessariamente de esquerda. Segundo, porque mesmo o eleitor que se considera de esquerda tem outras opções de voto dentro deste espectro político para votar.
Uma dona de casa que tenha conseguido construir uma pequena casa através do programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, pode votar em Lula para presidente, como forma de gratidão. Em nível estadual, no entanto, esta mesma dona de casa pode votar no governador Carlos Moisés da Silva (Rep) por ele ter liberado recursos para asfaltar a estrada próximo da referida casa em que ela mora. Um cidadão Florianópolis também pode votar em Lula porque ele teoricamente ajudaria mais os pobres, e pode votar em Gean Loureiro (União) para o governo, por ele ter sido um bom prefeito para seu município.
De um modo geral, o eleitor sempre vota de acordo com o abastecimento de suas necessidades, sejam elas reais ou lúdicas. Antigamente, o cidadão nascia e morria tendo uma pequena casa, um carro de boi, uma vaca e um galinheiro. Suas necessidades eram muito básicas, e, por conta disto, ele também passava a vida inteira votando apenas em um grupo político que defendesse suas teses. Atualmente, as necessidades do cidadão são infinitamente maiores, e passam por demandas que envolvem setores ligados à infraestrutura, saúde, educação, bem estar social, agricultura, cultura, e por aí afora. É praticamente impossível que apenas um grupo político consiga contemplar com primazia todos estes setores. É justamente por conta disto que em eleições gerais há uma grande difusão na hora do voto, e não raro o eleitor começa votando em um deputado estadual de direita, e termina votando em um candidato a presidente de esquerda, e vice-versa.
É claro que o eleitor petista nato votará em Lula e Décio. O problema de Décio é que nem todo o eleitor de Lula é fã do PT. Por conta disto, para chegar ao segundo turno, Décio precisa ampliar sua retórica de campanha, de modo a se aproximar do voto conservador. De todo modo, precisa fazer isto com cautela, para que o voto da esquerda não migre para outras candidaturas ao governo deste espectro ideológico.
Jorginho e Amin estão em batalha campal
Candidatos ao governo do Estado, Jorginho Mello (PL) e Esperidião Amin (PP) entraram em batalha campal. O motivo é bastante simples: ambos querem ser o herdeiro político exclusivo do presidente Jair Bolsonaro (PL) no Estado. Por naturalidade, esta herança caberia a Jorginho, que é filiado ao mesmo partido do presidente. Na prática, no entanto, o histórico pessoal de Amin está mais próximo da média do pensamento bolsonarista. Em princípio, Jorginho levará vantagem no decurso da campanha por estar ligado diretamente a Bolsonaro, e por não ter o desgaste de meio século de campanhas eleitorais em seu histórico. Também lhe beneficia o fato de vários líderes filiados ao Progressistas e ao PSDB, partido que é vice de Amin, estarem trabalhando de forma escancarada pela candidatura de Carlos Moisés (Rep).
Nossa região mantém média estadual de candidaturas femininas
Em Santa Catarina, 33% das candidaturas que disputam vagas legislativas no pleito estadual deste ano são do gênero feminino. Interessante observar que aqui no Extremo Sul catarinense este percentual é o mesmo. Das 15 candidaturas a deputado estadual ou federal, cinco são de mulheres. Estão disputando a Câmara Federal por nossa região Cynthia Etchandy (Rep), de Araranguá, e Karine Rafael da Rosa (Pode), de Maracajá. Por suas vezes, estão disputando a Assembleia Legislativa Andresa Ribeiro (PL) e Bia Borges (Novo), de Araranguá, e Mirian Feijó (PDT), de Sombrio. Em que pese a similaridade percentual com o Estado, esta é a primeira vez que nossa região tem tantas mulheres disputando uma eleição estadualizada. Historicamente, este percentual era de 20%.