• Segunda-feira, 25 de Outubro de 2021
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Política

Fusão entre PSL e DEM está cheia de incertezas

Nesta semana o PSL e o Democratas oficializaram o fusão dos dois partidos, que a partir de agora passará a se chamar União Brasil. Em princípio, trata-se da maior bancada da Câmara Federal, com 82 deputados, e uma das maiores do Senado, com oito parlamentares na Câmara Alta. Como o novo partido já declarou que buscará construir um novo projeto para o Brasil, de cara os congressistas aliados do presidente Jair Bolsonaro, que são filiados principalmente ao PSL, pularão fora da legenda. Outros tantos do Democratas farão a mesma coisa, a exemplo do ministro do Trabalho e da Previdência, Onyx Lorenzoni. Na via inversa, muitos de outras legendas migrarão para o União Brasil, de olho no fundo eleitoral que o partido terá disponível em 2022, que, aliado ao fundo partidário, poderá ultrapassar os R$ 600 milhões.

O projeto nacional do União Brasil é bastante claro. A legenda quer lançar um candidato à presidência da República que emplaque como uma alternativa de poder ao bolsonarismo e ao petismo. Os pré-candidatos carimbados são o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, e o apresentador de televisão, José Luiz Datena. Neste sentido, o União Brasil conflita principalmente com os interesses do PSDB, que almeja para si a primazia desta chamada candidatura neutra.

Se por um lado o projeto nacional está bem definido, por outro, em muitos Estados a fusão tem sido mal digerida. Em Santa Catarina, por exemplo, a base do PSL é maior que a do Democratas, mas a cúpula do Democratas estadual é quem deverá comandar o União Brasil. Por sua vez, o PSL que já vem sendo objeto de uma debandada de seus principais líderes, pelos mais diversos motivos, deverá sucumbir de vez no que diz respeito a sua essência. Boa parte dos que tem mandato legislativo deverão migrar para legendas que estarão aliadas ao presidente Jair Bolsonaro ano que vem, e, em outros casos, para o próprio partido onde ele estará filiado. Esta segunda hipótese, pontualmente em Santa Catarina, ainda é bastante obscura.

Conversa entre PSL e Democratas só acontecerá semana que vem

Em nossa região as cúpulas do PSL e do Democratas ainda não sentaram para conversar sobre o futuro do União Brasil. Nem mesmo nos municípios isto chegou a acontecer, isto porque, em muitos casos, as duas legendas estavam em campos opostos, principalmente na eleição do ano passado. Em Sombrio, por exemplo, os simpatizantes do PSL trabalharam em sua maioria pela candidatura a prefeito de Clodoaldo Patrício (PRTB). Já o Democratas era uma das principais legendas da aliança que elegeu a prefeitura Gislaine Cunha (DEM). Uma reunião dos caciques regionais dos dois partidos, de todo o Estado, deverá acontecer na próxima semana em Florianópolis, objetivando o alinhamento de posições.

Maiores dos deputados do PSL/SC não deverão ir para o União Brasil

A fusão que acometeu o PSL e o Democratas, aliado ao fato do presidente Jair Bolsonaro ainda não ter anunciado oficialmente para qual partido irá migrar, tem criado um clima de incerteza no meio político catarinense com vistas à 2022. A maioria dos deputados estaduais e federais do PSL do Estado, ligados ao presidente Bolsonaro, não deverá migrar para o União Brasil. O caminho natural seria seguir o presidente em sua nova sigla de filiação. Se ela for o Progressistas, no entanto, a situação fica para lá de estranha, já que em Santa Catarina a família Amim é quem comanda o partido e dificilmente abriria os espaços necessários almejados pelos futuros ex-pesselistas, que iriam querer comandar a legenda.

Principal alternativa dos eleitos pelo PSL deverá ser o PTB

Mas a confusão não para por ai. Vários deputados do PSL catarinense estão mapeados para migrar para o PTB, que deverá se aliar ao PL do senador Jorginho Mello na eleição estadual do ano que vem. O senador, por sua vez, deverá ser candidato ao governo, e, por óbvio, teria o apoio dos deputados petebistas. No entanto, caso o presidente Jair Bolsonaro se filie ao Progressistas, e o partido também lance candidato ao governo em Santa Catarina, haverá uma confusão generalizada diante deste cenário eleitoral. Teríamos deputados com mandato, disputando a reeleição pelo PTB, pedindo voto para Bolsonaro à presidente, e para Jorginho a governador, e, por sua vez, francamente contrários ao candidato a governador do partido do próprio presidente.

União Brasil está focada em eleger novo presidente da República

Intenção clara do União Brasil é eleger o próximo presidente da República, posicionando-se como uma alternativa a Bolsonaro e ao PT. Todavia, ainda que este objetivo não seja alcançado, o partido deverá dar as cartas no Congresso Nacional na gestão presidencial 2023/2026, pois deverá eleger cerca de 70 deputados federais e no mínimo dez senadores. Basicamente, se a legenda se mantiver unida conseguirá empurrar os destinos do país para este ou para aquele lado, mediante à composições de poucas alianças. A fusão que deu origem ao União Brasil acaba deixando bastante claro que, ainda que sejamos um país presidencialista, quem manda mesmo no país é o parlamento nacional, através de seus engendramentos.

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