Quinta edição do encontro amplia conexões entre setores e consolida debate sobre impacto e desenvolvimento sustentável
Em um auditório lotado de lideranças, educadores e representantes de diferentes setores, Criciúma recebeu mais uma edição de um dos principais encontros do Sul do país voltados à construção de soluções coletivas. O V Fórum Internacional de Inovação Social da Abadeus, realizado na Acic, recebeu 515 pessoas e projeta a região como referência em governança e inovação com foco em impacto.
Promovido pela Abadeus Centro de Inovação Social, o evento alcança a quinta edição sustentado por pela expansão e capilaridade. Desde 2022, já impactou mais de três mil pessoas, reuniu especialistas de diferentes áreas e consolidou um ambiente de diálogo entre poder público, iniciativa privada, academia e terceiro setor.
A proposta avança além do campo conceitual e se sustenta na prática. A diretora-executiva da Abadeus, Shirlei Monteiro, reforça esse impacto. “A inovação que acreditamos começa nas pessoas. Quando falamos de inclusão produtiva, de formação e de oportunidade, estamos falando de transformar realidades. O Fórum é esse espaço onde ideias se conectam com impacto social de verdade”, afirma.
Ecossistema ganha densidade e integração
A iniciativa posiciona a inovação como eixo estruturante do desenvolvimento local. “Criciúma vive um novo momento, e a inovação é parte central desse futuro. O Fórum realizado pela Abadeus consolida algo que nós acreditamos muito: ninguém constrói desenvolvimento sozinho. É na conexão entre poder público, empresas, universidades e comunidade que surgem as soluções que transformam a vida das pessoas”, cita o prefeito Vagner Espíndola.
Na esfera pública, a leitura é de continuidade e estruturação. “Começaremos a olhar os centros de inovação setoriais e não tenho dúvidas que a Abadeus será um dos primeiros deste segmento a fazer parte da Rede de Catarinense de Centros de Inovação de Santa Catarina. Esta é uma das nossas metas e seguiremos trabalhando para isso”, observa o secretário-adjunto de Estado da Inovação, Nicola Martins.
Experiências globais ampliam o debate
A programação incluiu o lançamento do livro “Inovação Social: Estratégias Práticas de Impacto Global” e a apresentação de case internacional conduzido pelo empreendedor social Francisco Pires de Miranda, fundador da Class of Wonders.
Ao abordar o conceito, ele reconhece a complexidade do tema. “A inovação social é um conceito complexo e, por vezes, controverso. Existe uma tensão recorrente entre assistência e inovação. É uma inovação que chega e serve o setor público. Precisamos transformar boas ideias em metodologias e tecnologias apropriáveis por governos”, explica.
O palestrante também chama atenção para o papel dos agentes envolvidos. “Os governos estarão sempre ligados às comunidades. Nós, empreendedores sociais, seremos temporários. O que precisamos deixar são produtos de transformação da sociedade”, diz.
“Quando uma inovação social prova conceito, o mundo convida a gente a experimentar também. Começa local, escala e se internacionaliza. Hoje, soluções desenvolvidas já impactam cerca de 1,5 milhão de estudantes na rede pública portuguesa. É importante desenvolver projetos próprios, mas ainda mais importante testá-los na escola pública, no serviço social, com avaliação de impacto. A compra pública precisa ser mais isenta e tecnicamente avaliada”, acrescenta.
Governança e sustentabilidade no centro do futuro
No segundo dia, o Fórum avança para uma abordagem estratégica, com destaque para a palestra do professor Marcus Nakagawa, referência nacional em ESG. Ao iniciar a fala, ele provoca o público à reflexão. “Fechem os olhos e pensem em um problema do mundo”, propôs.
As respostas evidenciam a diversidade dos desafios contemporâneos como desigualdade, violência, uso excessivo de tecnologia e até a dificuldade de estabelecer relações humanas. Para Nakagawa, o risco está na naturalização desses problemas. “Começamos a achar isso normal. E não é”, alerta o palestrante.
Ele sustenta que a crise ambiental e social já produz efeitos concretos. “Tudo isso está causando aquecimento global, mudanças climáticas e impactos diretos na saúde das pessoas. “Estamos tentando organizar um sistema global para enfrentar problemas que são de todos”, afirma.
O V Fórum Internacional de Inovação Social conta com o apoio da Prefeitura de Criciúma, BRDE, Sebrae/SC, Unesc, Instituto Sabin, Rio Deserto e Sicredi Sul, além de instituições como Acic e IBGC.
O que dizem as autoridades sobre o impacto do Fórum:
A consolidação de um ecossistema mais integrado aparece como vetor recorrente. O gerente regional do Sebrae/SC, João Alexandre Guze, amplia essa compreensão. “Inovação não é só tecnologia, é atitude, cultura e ambiente. E o que esse Fórum constrói é justamente um ecossistema mais preparado, mais conectado e mais competitivo”, destaca.
A Unesc reforça a dimensão formativa do processo. A pró-reitora de Ensino, Graziela Giacomazzo, evidencia o papel da academia. “A Universidade tem papel essencial dentro desse ecossistema, pois produz conhecimento, forma pessoas e gera soluções para a sociedade. O Fórum é um espaço em que a ciência encontra a prática”, afirma.
No campo do desenvolvimento, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) associa inovação à estratégia de longo prazo. “O desenvolvimento passa, inevitavelmente, pela inovação. O Fórum cumpre um papel fundamental ao reunir quem pensa, quem executa e quem investe”, observa Fabrício Corrêa.
Texto: Marciano Bortolin/Partner/NZBT Comunicação
Fotos: Foto Axé