• Quinta-feira, 25 de Junho de 2026
  1. Home
  2. Segurança
  3. Caso Jádina: investigações avançam e apontam responsáveis pelo crime de feminicídio

Segurança

Caso Jádina: investigações avançam e apontam responsáveis pelo crime de feminicídio

A DPCAMI de Araranguá encaminhou o relatório apontando o ex-companheiro da vítima e o executor do crime; investigação detalha histórico de violência psicológica e disputas judiciais anteriores.

ARARANGUÁ (SC) – A investigação sobre o brutal assassinato da educadora Jádina Custódio Ferreira Vieira, de 55 anos, teve uma atualização decisiva. A autoridade policial responsável pelo caso apresentou o relatório do inquérito e representou pelo indiciamento do ex-companheiro da vítima, Paulo Roberto Hoffman, e de Fábio Zago Demetto, apontado como o executor das facadas.

O crime ocorreu na manhã do dia 15 de abril de 2026, no pátio da residência de Jádina, localizada no bairro Uruçanguinha, em Araranguá. A educadora foi atacada na frente de sua filha adolescente, sofrendo múltiplos golpes de faca. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Regional de Araranguá, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu quatro dias após o atentado.

No início, os trabalhos de investigação foram compartilhados entre a Divisão de Investigação Criminal (DIC) e a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI). Com a confirmação de que se tratava de um crime de feminicídio, o caso passou a ficar sob comando exclusivo da DPCAMI de Araranguá.

Histórico de violência e disputas judiciais

De acordo com a advogada Mayara de Andrade Bezerra, que representa as filhas de Jádina, o feminicídio foi o ápice de um longo contexto de violências anteriores sofridas pela educadora. A advogada aponta que Jádina vinha enfrentando intimidações, tentativas de anulação e falta de respeito ao seu estilo de vida e pensamento por figuras em sua maioria masculinas, sofrendo inclusive recorrente violência psicológica.

Mesmo diante das adversidades e das ameaças sofridas dentro de sua propriedade, a educadora buscava reerguer-se e acionava a justiça de forma independente. A advogada Mayara de Andrade Bezerra explica que, antes de ser assassinada, Jádina já acumulava uma série de disputas judiciais importantes:

  • Esfera de Família: Processo envolvendo a guarda e a convivência da filha adolescente.

  • Esfera Cível: Ação que discutia a permanência de Jádina na mesma casa onde acabou ocorrendo o crime.

  • Esfera Criminal: Duas ações penais em curso contra o ex-companheiro (pai da adolescente). O Ministério Público já havia avaliado as denúncias levadas por Jádina à delegacia, encontrando indícios concretos de autoria e materialidade, com audiências de instrução e julgamento já designadas.

Segundo a defesa e as investigações, todo esse histórico de litígios está implicado diretamente com o resultado da morte da vítima.

Próximos passos na Justiça

Com a entrega do relatório policial apontando Paulo Roberto Hoffman e Fábio Zago Demetto, o documento segue agora para a apreciação do Ministério Público. O órgão irá avaliar se há necessidade de complementações ou se concorda com a manifestação da polícia para, em seguida, oferecer a denúncia formal e iniciar a ação penal.

Apesar deste avanço, o inquérito policial ainda não está formalmente encerrado. Existem provas pendentes de verificação e permanece aberta a possibilidade de indiciamento de outras pessoas que continuam sendo investigadas no caso.

Ocupação e memória: a luta das filhas

Em busca de justiça e para preservar a memória da mãe, as filhas de Jádina decidiram ocupar a residência onde o crime aconteceu. Como forma de protesto e expressão, a filha Jadiane espalhou cartazes pela propriedade.

"Tem muito da minha mãe em mim. É muito sobre os reflexos dessa mulher em quem fica e no que fica, em tudo que ela deixou. De alguma forma, a voz dela sendo ecoada. Ela era uma mulher de luta e eu sou uma mulher de luta também", declarou Jadiane, reforçando que o ato é uma resposta ao sentimento de aniquilamento provocado pelo feminicídio.

A ocupação da casa, segundo a família, serve tanto de manifesto para a sociedade quanto para demonstrar às autoridades que as filhas seguem vigilantes e presentes no local, confiando nas instituições, mas exigindo o total esclarecimento de toda a situação.

Inscreva-se em nossa Newsletter

Fique por dentro das nossas novidades.