Empresário descumpriu diversas medidas cautelares da prisão impostas pela Justiça Federal.
Um mandado de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã desta quinta-feira (3) pela Polícia Federal (PF) em decorrência de aprofundamentos da Operação Poyais. O alvo da operação, que apura a prática de crimes contra a economia popular, por meio de fraudes com criptomoedas, é o empresário Francisley Valdevino da Silva, conhecido como ‘Sheik dos Bitcoins’.
O suspeito foi detido após ordens expedidas pela 23ª Vara Federal de Curitiba (PR). O empresário é suspeito de aplicar golpes com criptomoedas em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e no exterior.
Entre as vítimas estão a modelo Sasha Meneghel e o marido João Figueiredo. A modelo teve um prejuízo de R$ 1,2 milhão através das fraudes
Investigação
De acordo com a reportagem do RIC Mais, a investigação apurou, após a deflagração da Operação Poyais em outubro deste ano, que o responsável pela organização criminosa suspeita da prática no Brasil e no exterior de fraudes com criptoativos descumpriu diversas medidas cautelares da prisão impostas pela Justiça Federal.
Dentre as restrições, o investigado não poderia continuar a administrar as empresas e tampouco praticar atos de gestão no interesse de seu grupo econômico.
A partir de diligências policiais, foi possível identificar que o investigado, dias após a deflagração da operação policial, passou a realizar encontros frequentes com funcionários em uma residência, em Curitiba.
Uma das empregadas é a gerente financeira do grupo, ao passo que outro empregado identificado é o responsável pelo designer gráfico das plataformas virtuais criadas pelo investigado para prática das fraudes.
Além do descumprimento das medidas cautelares, os quais eram suficientes para a expedição do decreto de prisão, a constatação dos encontros frequentes do investigado com empregado responsável pelo designer gráfico das plataformas virtuais demonstrou que a organização criminosa continuava ativa e promovendo atos criminosos.
Operação contra golpe de criptomoedas
Durante a investigação da Operação Poyais, demonstrou-se que o grupo criminoso, além de promover fraudes no Brasil e no exterior, confeccionava e comercializava plataformas e sistemas virtuais para terceiros interessados na prática de crimes semelhantes.
Recentemente, no bojo da Operação Bad Bots, também deflagrada pela Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros da Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná, houve a condenação de duas pessoas responsáveis por crimes contra o sistema financeiro a partir de fraude envolvendo a comercialização de criptomoedas.
Com o avanço das investigações, comprovou-se que o sistema virtual usado para tais fraudes foi criado e mantido pela organização criminosa ora investigada.
Da mesma forma, demonstrou-se que os encontros do investigado com funcionário da área de criação de plataformas virtuais se destinavam a criação e manutenção de outros sistemas virtuais ativos, comercializados pela organização criminosa com terceiros, possivelmente usados para promoção de práticas criminosas semelhantes.
Por conta disso, considerando a atualidade e periculosidade das ações do investigado, o qual, mesmo solto, continuou a criar e gerir plataformas virtuais usadas para promoção de esquemas de pirâmides financeiras, a prisão preventiva foi decretada pela Justiça Federal também para garantia da ordem pública e econômica, buscando-se, assim, o fim da atividade delitiva.
As investigações da Operação Poyais continuam, não apenas para cessação das atividades criminosas, mas também para a elucidação da participação de todos os investigados nos crimes sob apuração, bem como o rastreamento patrimonial para viabilizar, ainda que parcialmente, a reparação dos danos gerados às vítimas.
O que diz o empresário
Em relação a Operação Poyais, Francisley se manifestou em nota afirmando que a operação é uma “medida usual em procedimentos investigatórios dessa natureza” e que pretende “comprovar a efetiva regularidade e licitude das operações empresarias”, bem como de todas as condutas adotadas por ele. Veja na íntegra:
Considerando a operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (06/10/2022) para o cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão simultâneos, alguns deles em imóveis dos quais sou proprietário, necessários se fazem alguns esclarecimentos. Cumpre esclarecer que todos os procedimentos judiciais em que eu ou minhas empresas constam como envolvidos são de total conhecimento e acompanhamento do corpo jurídico responsável.
Ademais, a operação efetivada nesta manhã é medida usual em procedimentos investigatórios dessa natureza, necessário ao regular prosseguimento do feito e esclarecimento do quanto necessário, sendo que todo o apoio e cooperação foram despendidos pelos envolvidos no processo. Por fim, informo que continuo à disposição para prestar todos os esclarecimentos que porventura se fizerem necessários, tanto na esfera judicial quanto extrajudicial, com escopo de comprovar a efetiva regularidade e licitude das operações empresarias, bem como de todas minhas condutas.
Fonte: ND Mais