Nos quatros dias de evento, trabalharam 147 policiais militares e 120 seguranças de empresa privada
As marcas pós 29ª Arrancada de Caminhões ainda estão visíveis. O evento com essa magnitude muda uma estrutura de uma cidade, o funcionamento e as pessoas. O que a Arrancada, um evento tão tradicional da região da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc), deixa paraos municípios? Esta semana, a equipe da Uaaau Comunicação estará desmistificando cinco pontos principais da festa, trazendo informações, números e os pontos de vista na realização deste evento. Nesta segunda-feira (25), iniciaremos com a Segurança no local do evento. Abordando o esquema utilizado e como os órgãos envolvidos neste setor agem durante a Arrancada.
Com um efetivo de 147 policiais militares no período de quatro dias de festa, foram registradas 13 ocorrências relacionadas diretamente com evento, entre a sua maioria estava a perturbação do sossego alheio. Essas são informações passadas pelo major e subcomandante do 19º Batalhão de Polícia Militar de Araranguá, Marcelo Bertoncini Zanette. Um dos casos mais comuns são reclamações de som alto. De acordo com o major, no momento do chamado, imediatamente é feita a abordagem, na qual solicita-se o som seja desligado.
“Caso o proprietário acate a ordem, registramos os dados e avisamos que se ele ligar novamente será autuado por perturbação do sossego. Sendo aí é lavrado um Termo Circunstanciado, apreendido o som e, em alguns casos, o veículo também. Além da apreensão do som, o documento é encaminhado ao Poder Judiciário, que dará prosseguimento no processo judicial relacionado ao crime de perturbação do sossego”, esclarece.

De acordo com o membro da organização do evento pela prefeitura, Anderson da Silveira, a Polícia Militar atuou forte nos casos de som alto. “Há um intenso trabalho da polícia, principalmente nas imediações do evento. Durante o dia, o pessoal acha que pode fazer barulho, mas não é assim. No evento tinha tolerância até um horário mais tarde. Nunca terminamos, nós amenizamos o som. A Polícia trabalhou bem e, a partir de determinado horário, fez uma geral, mas quando estão chegando ao fim, os primeiros já aumentaram o som de novo”, observa.
Esta também é uma das preocupações do prefeito do Balneário Arroio do Silva, Juscelino da Silva Guimarães, o Mineiro. “Os carros de som próximo as residências podem incomodar os munícipes, principalmente crianças e idosos. Outro fator são as bebidas alcoólicas. É praticamente impossível controlar porque muitos levam de casa, mas vamos estudar durante o decorrer do ano para identificar se existe uma maneira de resolver esse cenário”, frisa o prefeito.
A PM também lida com a circulação de bebidas. “Cumprimos a legislação que proíbe a venda, caso seja flagrada a aquisição, a pessoa que vendeu ou forneceu é presa”, acrescenta.

A cada ano novas melhorias
O esquema de segurança da Arrancada de Caminhões é resultado de uma parceria entre a Polícia Militar e MDJ Seguranças, ganhadora do processo licitatório do Governo Municipal. Conforme Zanette, o planejamento é desenvolvido a partir das informações repassadas pela organização, contando também com experiências de anos anteriores. São avaliados pontos positivos e negativos, na intenção de melhorar a segurança em comparação as outras edições.
“Nosso policiamento é focado primeiramente em ações preliminares preventivas, por meio da exigência de diversas documentações e laudos para conceder o policiamento. O efeitivo é enviado somente se o organizador cumprir os requisitos de segurança exigidos, depende do tamanho do evento e expectativa de público. Sendo assim, buscamos focar em ações de policiamento ostensivo, onde há presença e atuação”, ressalta.
O receio do Chefe do Poder Executivo se estende dentro e fora das pistas de corrida. “A nossa apreensão é que possa acontecer algum imprevisto, não só nas pistas, mas fora também, porque é um aglomerado de gente, vem pessoas de todo o país. Ficamos preocupados com a quantidade de pessoas se movimentando na cidade”, completa Mineiro.
Nesta edição, o plano contou com um diferencial, o apoio da cavalaria e canil do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Criciúma. O canil atuou nas ações de distúrbio civil, ou seja, nos locais onde o número de pessoas supera o efetivo, desta forma, evitando o confronto. Já na cavalaria, trabalhou diretamente nas proximidades e nos estacionamentos do evento. “Por estarem montados, os policiais ficam em um patamar mais elevado, tendo uma grande efetividade para atuação na prevenção dos delitos de furto e roubo em veículos e residências do entorno”, enfatiza.

Organização
Pelo fato de ser evento que está no calendário municipal há mais de três décadas, já existe um pré-planejamento fixo. Como aponta Zanette, esse esquema vai sendo aperfeiçoado e readequado todos os anos, com base nas necessidades identificadas. “As primeiras etapas com a prefeitura
geralmente ocorrem por volta de 60 dias antes do evento. Além disso, o policiamento permanece inalterado e muitas vezes até fortalecido, pois o efetivo do evento é um efetivo extra que vem de outras cidades e é escalado especificamente para o evento”, afirma.
Segundo proprietário da Gálatas Mídias e Eventos, José Pereira, a parte de segurança e saúde contou com os trabalhos da segurança privada, brigadistas, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, profissionais da Secretaria da Saúde, com ambulatório, e equipe de UTI móvel contratada. “A distribuição e supervisão da MDJ Segurança, empresa que venceu a licitação para fazer a segurança, era de minha responsabilidade. A disponibilidade do efetivo dependia do local e também dos horários. Na quinta e sexta-feira foram aproximadamente 80 pessoas, pois eram dias de pouco movimento. Já no sábado e domingo, dias com maior circulação de pessoas, o número funcionários trabalhando chegou a 120”, menciona.
Texto: Ana de Mattia e Caroline Monteiro
Foto: Arquivo/Prefeitura Gabriela Silva e Arquivo/PM Franciane de Bitencour