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Debutantes 2023

Há segurança nos esportes a motor?

Acidente que aconteceu na última edição da Arrancada de Caminhões levantou questionamentos sobre o tema. Confira tudo que envolve a proteção dos pilotos e veículo no evento

Não é novidade que esportes a motor apresentem algum risco. Fórmula 1, Rally Dakar, Moto GP, entre muitos outros. A alta velocidade, pistas com muitas curvas e superfícies diversas tornam as categorias mais perigosas e dividem opiniões. Este será o tema abordado no quarto dia do Especial Arrancada de Caminhões produzido pela equipe da Uaaau Comunicação.

Desde pequeno, Franco Scarabelot corria pelos boxes da arrancada para ficar mais próximo dos caminhões. Mas foi só em 2011 que ele estreou no evento. “Enquanto que meus colegas queriam se tornar jogadores de futebol, eu queria tirar minha carteira de habilitação para poder dirigir um caminhão no Arroio do Silva. Essa era minha Copa do Mundo. A sensação que você tem de andar em um caminhão de competição, preparado com todo o empenho pela sua equipe, na areia é única. É ame-a ou deixe-a. Comigo foi um caso de amor”, lembra.



Com dois segundos lugares em 2016 e um segundo lugar Cavalo Mecânico Eletrônico até 560cv na edição de 2019, Scarabelot destaca a importância da segurança para os pilotos. Ele explica que cada bateria é liberada quando a pista estiver pronta e com a ambulância presente. “Todo esporte tem seus riscos a serem analisados e mitigados. A estrutura do evento conta com os guard-rails, montes de areia e maior distância do público para proteger os que assistem. Após a linha de chegada, temos uma área de escape maior que a de competição para ser realizada a frenagem gradualmente. Em linha reta, diminuindo as chances de acidentes”, explica.

A questão da logística da pista é planejada pela Federação Automobilismo de Santa Catarina (Fauesc). O proprietário da Gálatas Mídias e Eventos, José Pereira, frisa as etapas e requisitos do processo da corrida:



Conforme o organizador do evento pela prefeitura, Anderson da Silveira, o projeto elaborado ao Corpo de Bombeiros de Florianópolis para ser avaliado e repassam com recomendações. “A prefeitura monta a pista, a Fauesc verifica e libera para competição. É dado um alvará provisório antes, porque esse documento é enviado aos órgãos competentes e, no dia antes do evento, libera um oficial pela federação. A direção de prova também é responsabilidade da Fauesc”, salienta.
O proprietário ressalta as obrigações que devem ser seguidas pera a realização da Arrancada.

Medidas de segurança

Participando da Arrancada de Caminhões desde a primeira edição, Sérgio Carminatti tem 24 pódios, sendo 11 em primeiro lugar. Com muita experiência, o piloto frisa que o evento possui uma boa estrutura e regulamento a ser seguido. Além disso, para ele, o motorista precisa ter a mesma consciência do que está fazendo, assim como quando dirige na estrada.


“Se ver que não está em condições de correr, seja por questões mecânicas ou emocionais, pare o caminhão até que possa resolver o que te aflige. Se você vê que está perdendo o controle do veículo, solte o acelerador, pare o veículo e procure a solução do seu problema. Ninguém vive de prêmio da Arrancada de Caminhões, é uma festa. Com consciência fazemos um evento seguro e bonito para todos os presentes”, ressalta Scarabelot.

Pereira conta os requisitos que são solicitados aos pilotos que participam da Arrancada, como por exemplo, ser proprietário do automóvel ou ter autorização do dono e ser habilitado.



Carminatti ainda afirma que é a segurança está correta, como o uso de guard-rails, capacetes e Santo Antônio. “Os riscos sempre se tem, mas vai muito dos pilotos. Quando balançar o caminhão, alivia e tira o pé. Isso aconteceu comigo, tirei o pé e segurei caminhão. É preciso ter muito cuidado, posso dizer que os riscos são poucos”, explica.

Para Scarabelot, o básico utilizado em todas as categorias são o capacete certificado com viseira, luvas, calçado fechado, macacão ou calça e camiseta manga longa, extintor e cinto de três pontas. O piloto também cita que os caminhões novos possuem uma estrutura e tecnologia mais seguras para os motoristas.

“Os caminhões mais antigos, como os ‘jacarés’ e/ou utilizados apenas para competição, as equipes vêm colocando a estrutura metálica de proteção, a gaiola, o cinto de quatro pontas preso ao chassis e outros dispositivos com intuito de parar o funcionamento do caminhão. Por exemplo, cortar a alimentação de combustível caso o motor ‘dispare’, freios mais eficientes do que os originais de montagem e toda a manutenção que um veículo precisa ter, como alinhamento, balanceamento, etc”, informa.



Apesar de todas as precauções referentes à segurança, na edição de 2019 aconteceu um grave acidente, no dia 16, durante as provas classificatórias do evento. O piloto de Araranguá, Plínio Júnior perdeu o controle e capotou o caminhão, além de ser projetado para fora do veículo. De acordo com as últimas informações repassadas a Uaaau Comunicação, o piloto teve perfuração no pulmão, esfacelamento da primeira vertebra e escoriações na medula. Plínio segue na UTI, mas já respira sem ajuda de aparelhos.

Para o organizador do evento, a Fauesc deverá fazer alterações no regulamento na próxima edição, devido à potência que os caminhões estão apresentando nos últimos anos:



A reportagem entrou em contato com a Fauesc, que não quis se pronunciar sobre o caso.

Texto: Ana de Mattia e Caroline Monteiro
Fotos: Arquivo pessoal/Carina Steinmetz

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