Critério para incorporação de cidades com menos de 5 mil habitantes e receita própria baixa foi anunciado nesta terça-feira pelo governo federal
A nova proposta de pacto federativo apresentada nesta terça-feira (5) pelo governo federal prevê mudanças na distribuição de recursos a Estados e municípios e traz também uma estimativa de que esses entes recebam R$ 400 bilhões a mais nos próximos 15 anos. Além disso, uma das medidas pode alterar a divisão de municípios em todo o país.
Na PEC do Pacto Federativo encaminhado ao Congresso, o plano anunciado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sugere que municípios com menos de 5 mil habitantes e com uma receita própria que não chegue a 10% do total da receita recebida por esses territórios sejam incorporados a cidades vizinhas com melhor situação financeira.
Na justificativa da PEC, o governo aponta que dos 5,5 mil municípios de todo o país, 1,2 mil poderiam ser atingidos pela medida por possuir população interior a 5 mil municípios.
Segundo o texto do governo, a maior parte desses municípios não arrecadaria receitas próprias suficientes para custear a própria estrutura, como prefeitura e câmara de vereadores, e que esses “custos não existiriam (ou seriam substancialmente reduzidos) caso o município fosse incorporado a outro”.
Em Santa Catarina, o Estado tem 106 municípios com menos de 5 mil habitantes, conforme a última estimativa populacional do IBGE, divulgada em agosto deste ano. Mas a incorporação por outras cidades vai depender também da receita própria dos municípios.
39 cidades em risco em SC, segundo TCE-SC
A situação financeira e a viabilidade dos municípios pequenos em Santa Catarina já havia sido alvo de um estudo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC), elaborado em 2017 e autuado em março deste ano. No levantamento, o órgão apontou que, à época, 105 municípios possuíam menos de 5 mil habitantes. Desses, 39 tinham como receita própria menos de 10% da receita total necessária para manter a estrutura do município.
Se o critério proposto pelo governo federal fosse adotado agora, essas 39 cidades precisariam ser incorporadas por cidades vizinhas (confira a lista abaixo). No entanto, a proposta ainda prevê um tempo para que os municípios que não desejem a incorporação tentem incrementar a receita.
A PEC da equipe econômica propõe que os municípios de até 5 mil habitantes tenham até 30 de junho de 2023 para comprovar que arrecadam ao menos 10% do total de sua receita. Caso isso não ocorra, o município seria incorporado a uma cidade vizinha em melhor situação financeira a partir de 1º de janeiro de 2025. Pela proposta, uma cidade não poderia incorporar mais de três municípios vizinhos.
Maioria dos municípios criados em SC tem menos de 5 mil habitantes
O estudo do TCE-SC já despertou um debate no Estado sobre a existência desses municípios com população baixa e aponta também que Santa Catarina é o 21º estado brasileiro na média de habitantes por município. Apenas Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí e Tocantins possuíam na época do estudo uma média de municípios menos populosos que o Estado.
Outro dado trazido pelo estudo é de que, dos 94 municípios em Santa Catarina depois de 1988, 72 não atenderam o requisito de população mínima de 5 mil habitantes, considerando o Censo de 2000. Em função disso, o estudo concluiu que se essas emancipações não tivessem ocorrido, o Estado teria tido uma economia de R$ 1,1 bilhão.
A diretora da Diretoria de Atividades Especiais (DAE) do TCE-SC, Monique Portella, alerta que o foco do estudo foi apontar o custo emancipatório para o Estado e explica que o único aspecto analisado foi o econômico-financeiro, onde houve, segundo ela, indícios de inviabilidade desses 105 municípios que na época tinham menos de 5 mil habitantes.
– Há também as questões culturais, regionais, políticas, sociais, ambientais. Uma série de aspectos que precisa ser analisada – aponta a diretora, que explica que uma segunda fase do estudo para analisar justamente esses pontos está prevista para 2020 pelo TCE-SC.
As cidades que podem ser afetadas pelas incorporações
Municípios de SC com menos de 5 mil habitantes e com receita própria inferior a 10% da receita total, segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC), autuado em março deste ano:
|
Cidade |
População |
% receitas próprias |
|
Atalanta |
3268 |
1,4% |
|
Peritiba |
2880 |
1,7% |
|
Lacerdópolis |
2249 |
1,9% |
|
Bom Jardim da Serra |
4663 |
2,4% |
|
Águas Frias |
2397 |
2,5% |
|
Paraíso |
3688 |
2,9% |
|
São Miguel da Boa Vista |
1860 |
3,5% |
|
Lajeado Grande |
1461 |
4,0% |
|
Guatambu |
4736 |
4,2% |
|
Marema |
1952 |
4,6% |
|
Bandeirante |
2779 |
4,8% |
|
Cunhataí |
1949 |
4,9% |
|
Vargem Bonita |
4635 |
5,1% |
|
Santiago do Sul |
1341 |
5,8% |
|
São Bonifácio |
2922 |
06,0% |
|
Ermo |
2077 |
6,2% |
|
Ibiam |
1968 |
6,2% |
|
Presidente Nereu |
2306 |
6,6% |
|
Bom Jesus do Oeste |
2153 |
6,8% |
|
Morro Grande |
2918 |
6,9% |
|
Jardinópolis |
1649 |
7,3% |
|
Princesa |
2891 |
7,4% |
|
Santa Helena |
2288 |
7,5% |
|
Jaborá |
4006 |
7,6% |
|
Coronel Martins |
2541 |
7,9% |
|
Cordilheira Alta |
4253 |
8,0% |
|
Flor do Sertão |
1597 |
8,3% |
|
Lindóia do Sul |
4630 |
8,5% |
|
São Bernardino |
2496 |
8,5% |
|
Ibicaré |
3290 |
8,7% |
|
Tigrinhos |
1707 |
9,0% |
|
Iraceminha |
4103 |
9,1% |
|
Barra Bonita |
1764 |
9,2% |
|
Presidente Castello Branco |
1630 |
9,2% |
|
Urupema |
2492 |
9,2% |
|
Frei Rogério |
2474 |
9,3% |
|
Rio Rufino |
2487 |
9,3% |
|
Irati |
2004 |
9,8% |
|
Nova Itaberaba |
4339 |
9,8% |
Municípios de SC com menos de 5 mil habitantes, mas com receita própria acima de 10% da receita total, portanto fora dos critérios que exigiriam fusão com município vizinho segundo proposta do governo federal:
|
Cidade |
Habitantes |
% receita própria |
|
Angelina |
4998 |
28,0% |
|
Vargem |
2586 |
32,6% |
|
Palmeira |
2562 |
10,1% |
|
Planalto Alegre |
2823 |
13,1% |
|
Erval Velho |
4472 |
13,1% |
|
Mirim Doce |
2399 |
10,2% |
|
Iomerê |
2899 |
11,2% |
|
Xavantina |
4039 |
11,2% |
|
Galvão |
3137 |
12,2% |
|
Santa Rosa de Lima |
2133 |
14,2% |
|
Sul Brasil |
2587 |
15,2% |
|
Leoberto Leal |
3179 |
16,2% |
|
Braço do Trombudo |
3682 |
17,2% |
|
Caxambu do Sul |
3939 |
20,2% |
|
Anitápolis |
3251 |
21,2% |
|
Arvoredo |
2266 |
11,3% |
|
Formosa do Sul |
2562 |
11,3% |
|
Jupiá |
2134 |
12,3% |
|
Ponte Alta |
4796 |
18,3% |
|
Treviso |
3824 |
20,3% |
|
Celso Ramos |
2768 |
27,3% |
|
Cerro Negro |
3308 |
27,3% |
|
Nova Erechim |
4804 |
12,4% |
|
Belmonte |
2705 |
14,4% |
|
Ponte Alta do Norte |
3405 |
15,4% |
|
Rio Fortuna |
4594 |
15,4% |
|
José Boiteux |
4874 |
15,4% |
|
Ouro Verde |
2254 |
16,4% |
|
Zortéa |
3264 |
19,4% |
|
Arroio Trinta |
3564 |
25,4% |
|
Passos Maia |
4279 |
12,5% |
|
Doutor Pedrinho |
3990 |
15,5% |
|
Painel |
2378 |
10,6% |
|
União do Oeste |
2650 |
10,6% |
|
Major Gercino |
3416 |
12,6% |
|
Tunápolis |
4612 |
12,6% |
|
Brunópolis |
2589 |
13,6% |
|
Pedras Grandes |
4047 |
15,6% |
|
Alto Bela Vista |
1977 |
23,6% |
|
Abdon Batista |
2617 |
23,6% |
|
Piratuba |
4209 |
28,6% |
|
Riqueza |
4705 |
14,7% |
|
Macieira |
1807 |
16,7% |
|
São Martinho |
3217 |
18,7% |
|
Calmon |
3389 |
18,7% |
|
Pinheiro Preto |
3438 |
19,7% |
|
Chapadão do Lageado |
2933 |
11,8% |
|
Witmarsum |
3876 |
13,8% |
|
Ipira |
4599 |
16,8% |
|
Capão Alto |
2625 |
26,8% |
|
Santa Terezinha do Progresso |
2611 |
10,9% |
|
Paial |
1607 |
11,9% |
|
Bocaina do Sul |
3440 |
12,9% |
|
Vargeão |
3590 |
12,9% |
|
Entre Rios |
3167 |
13,9% |
|
Dona Emma |
4039 |
13,9% |
|
Serra Alta |
3307 |
14,9% |
|
Rancho Queimado |
2860 |
20,9% |
|
Salto Veloso |
4616 |
22,9% |
|
Bom Jesus |
2870 |
10,0% |
|
Arabutã |
4278 |
10,0% |
|
São João do Itaperiú |
3662 |
11,0% |
|
Saltinho |
3872 |
16,0% |
|
Matos Costa |
2652 |
17,0% |
|
Novo Horizonte |
2569 |
20,0% |
|
Modelo |
4181 |
20,0% |
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Fonte: estudo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC), feito em 2017 e autuado em março de 2019 | NSC