Você já assistiu ou presenciou alguma coisa que a fizesse repensar muito sobre a sua vida e quem você é? Se já, você entende a minha sensação ao sair do cinema depois de assistir a Adoráveis Mulheres. Por mais que o filme seja a sexta adaptação do livro de Louisa May Alcott lançado em 1868, a originalidade do roteiro e direção de Greta Gerwig trazem um novo ar para o clássico o deixando de certa forma mais moderno e criando ainda mais profundidade às personagens.
Quando você assiste a um filme e ele não sai por nada desse mundo da sua cabeça, geralmente é porque o que quer que tenha sido o que você assistiu, te tocou profundamente. Eu me peguei divagando algumas vezes, completamente absorta de tudo ao meu redor, lembrando de cenas do filme e percebendo o quanto a história de Jo March me tocou mais do que eu já esperava, justamente por isso, eu não via a hora de sentar e colocar no papel tudo o que não saía da minha cabeça (sem spoilers). Vamos dissecar o filme por partes então, começando pelo elenco.


Saoirse Ronan brilha em qualquer papel, mas parece que quando Greta está envolvida ela consegue brilhar ainda mais. E por mais que o maior foco da história seja em cima de Jo March, é justamente quando ela está sozinha que a atriz se destaca ainda mais, isso porque todo o elenco é extremamente talentoso, algo que somado à direção certeira de Gerwig nos faz ver cada uma das irmãs como absolutas protagonistas em algum momento. Emma Watson, traz uma leveza para Meg, a irmã mais velha, com todo seu talento, Florence Pugh se destaca como Amy e consegue deixar a trama mais leve em muitos momentos, e Eliza Scanlen dá vida à Beth, a mais nova e tímida das irmãs que entrega uma performance emocionante. Timothée Chalamet completa o elenco central do longa e é sem dúvidas uma das escolhas mais certeiras para qualquer personagem que já vi. Por mais que não importe o papel que faça, Timotheé sempre entrega uma performance tão maravilhosa que beira a perfeição, e é exatamente isso que vemos toda vez que Laurie aparece em cena. O elenco estelar é completado com Laura Dern, Meryl Streep, Chris Cooper e Bob Odenkirk.
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Eu já falei um pouco de Greta mas não o suficiente, por mais que muitas outras adaptações do livro de Louisa tenham sido produzidas antes, o remake criado por ela é provavelmente o mais necessário e o mais poético e sincero de todos. Isso acontece principalmente por Greta ter crescido se identificando como Jo March e entendendo seu ponto de vista para o mundo - da mesma forma que eu também me identifico - Greta entende não apenas o que Jo sente, mas as intenções de cada uma de suas irmãs, e essa compreensão é um dos toques mais especiais do roteiro, a sensibilidade ao narrar cada história e cada dor dos personagens é lindíssima é tão bem executada que agora a minha maior meta de vida é provavelmente trabalhar com Greta Gerwig um dia. Mesmo tendo feito um remake, Gerwig criou uma das obras mais originais dos últimos tempos. Ela ainda assim não recebeu sua indicação para o Oscar de direção, mas por mim, esse prêmio já é dela de qualquer forma.

Sua indicação ao Oscar de Roteiro Adaptado porém, foi absolutamente merecido. O problema de muitas adaptações cinematográficas de livros é justamente a dificuldade em acertar na narrativa, que muda bastante do livro para o cinema. É comum ver filmes mais mecânicos e que não fluem tão bem, e da mesma forma que isso também diz muito sobre o diretor, é no roteiro que precisa ser melhor trabalhado. Greta fez um trabalho lindo com essa adaptação, a forma com que a história é contada em formato não-linear misturando flash-backs com o presente, torna a trama mais dinâmica e dá um ritmo excelente. As mais de duas horas do filme não me pareceram tão longas, e por mim, ele poderia ter mais 1h contando a história da família March que eu continuaria ali, bem sentadinha, feliz e emocionada.

