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A sororidade em ‘Coisa Mais Linda’

A pouco mais de um mês atrás, mais precisamente no dia 22 de março, a Netflix estreou a nova série brasileira do Streaming, Coisa Mais Linda, liderada por um incrível elenco feminino a série faz do seu título um prenúncio do que está por vir. A trama é a seguinte, Maria Luiza é uma dona de casa que chega ao Rio dos anos 50 para encontrar o marido e descobre que foi abandonada e que ele fugiu com seu dinheiro. Em vez de sofrer, ela decide ficar na cidade, abrir o restaurante que seria dos dois e transformá-lo em um clube de música. Para completar o elenco feminino de peso temos mais três personagens, Adélia, que trabalha como empregada de uma senhora no prédio em que Malu está morando, ela salva a vida de Malu quando a pega incendiando as roupas do marido depois que descobre o abandono e impede que a moça cause um incêndio em grandes proporções. Lígia, que era a melhor amiga de infância de Malu, ela é casada com um político e vive no Rio uma vida bem parecida com a que Malu vivia em São Paulo. Seu marido não aceita que ela trabalhe e por conta disso, ela reprime o sonho que tinha desde nova de ser cantora. E Theresa, que é cunhada de Lígia, mas vive uma vida bem diferente e fora dos padrões da época com o marido. É justamente todas as diferenças estre essas quatro personagens que torna a história delas tão interessante. Porque por mais que suas vidas, e até seus ideais, não sejam os mesmos, elas compartilham uma coisa bem importante em comum, todas sofrem com o machismo da sociedade da época que tentava dizer o que elas podiam ou não fazer. Malu precisa lidar com o pai que quer que ela volte a São Paulo e se case novamente já que ela tem um filho pequeno para criar. Lígia tenta se convencer de que não gosta mais de cantar, mesmo esse sendo seu maior sonho, para deixar o marido feliz. Theresa tem um trabalho importante como jornalista para uma revista feminina, mas é a única mulher na equipe, e por conta disso lida diariamente com comentários machistas dos colegas, e Adélia além de sofrer com o machismo de ser mãe solteira e pobre, é negra, sua luta diária é ainda mais complexa e difícil.

Quando eu decidi escrever sobre Coisa Mais Linda eu parei para pensar em algum tema específico da série para abordar de forma mais aprofundada e percebi que só havia um que eu realmente precisava falar sobre: a sororidade de Coisa Mais Linda. Para quem não está familiarizado com o termo, sororidade significa irmandade, empatia e união entre mulheres, é um pacto social, ético e emocional, o termo veio do feminismo e é uma das bases mais importantes do movimento, ter sororidade é acreditar que juntas somos melhores, mais fortes, menos fragilizadas e mais capazes. As mulheres precisam apoiar umas às outras, criar alianças, e não fazer de outras mulheres suas adversárias, porque elas não são. Como disse uma vez a maravilhosa escritora feminista Chimamanda Ngozi Adichie, as meninas ainda costumam ser criadas para ver umas às outras como competição, e isso poderia ser uma coisa boa se essa competição fosse por realizações ou empregos, mas a competição ainda é pela atenção dos homens. E não sei vocês, mas eu canso só de pensar em todas as vezes que vi duas mulheres brigando enlouquecidamente por um homem em uma novela. Isso sem nem falar que a trama costuma ser sempre a mesma também, o rapaz gosta mais de uma do que da outra, mas ao longo da trama ele se envolve com as duas mais de uma vez porque não consegue decidir qual delas é a melhor para ele, e enquanto isso, as duas se detestam, constantemente disputam a atenção dele, e brigam uma com a outra. Além dessa história estar bem batida, ela já não funciona muito bem hoje em dia justamente por conta da sororidade que está cada vez mais forte entre as mulheres, fazendo com que esse tipo de situação se torne cada vez mais insólita, mesmo que ainda recorrente, e infelizmente, não só na tv ou no cinema.  Em pleno 2019 a gente ainda ouve frases como: “Mulher junta não dá certo”, “Trabalhar com mulheres é mais difícil porque elas brigam muito, fofocam muito, são emotivas demais” e sabe o que é mais incrível? Em Coisa Mais Linda a gente ouve frases bem parecidas com estas que foram ditas hoje em dia. Em 2019 ainda ouvimos frases que as mulheres ouviam em 1959. Sim, eu fiz questão de repetir isso. É por isso que a sororidade é um dos pilares mais importantes do feminismo, da mesma forma que é um dos pontos mais importantes da série, porque busca acima de tudo, gerar mudança social, criar uma rede de apoio entre as mulheres para ajudar e reivindicar mudanças reais, sororidade é sinônimo de solidariedade. Ao longo da temporada, acompanhamos essas mulheres tão diferentes passando por momentos difíceis e servindo como suporte umas às outras, porque no fim do dia, não importa a cor da pele de ninguém, o que de errado elas possam ter feito ou o tamanho do problema que elas carregam, elas se apoiam e se ajudam a reerguer e a seguir em frente sem julgamentos, tornando umas às outras mais fortes e mais corajosas.

Agora, não tem como falar da série sem mencionar a música. Malu sempre foi apaixonada por música, ela tinha o sonho de transformar o restaurante em um clube de música e não só pela liberdade financeira que isso a daria, desde o primeiro episódio da série já fica evidente o poder que uma boa canção tem sobre ela. Como a trama se passa no fim dos anos 50, o início da era bossa nova, o gênero acaba sendo a principal fonte de trilha sonora da série, e a emoção fica por conta de três personagens, Chico, Capitão e Lígia que tocam e cantam lindamente durante a temporada. Inclusive, por mim poderia ter mais música, ela consegue enriquecer a trama e deixar a história mais envolvente, mas acaba não sendo explorada da maneira que poderia, o que não chega a afetar a trama, mas não consigo evitar de imaginar o quão mais enriquecedora a história poderia ter se tornado se a música estivesse ainda mais presente. A série como um todo tem uma produção ótima, o início é excelente e o episódio piloto por si só já é capaz de nos convencer a continuar, mas o que considero como o ponto mais negativo de Coisa Mais Linda acontece lá pelo episódio 5, quando a série se perde um pouco e acaba se parecendo com uma novela ao fazer grandes revelações em formato de “nossa que coincidência você por aqui, não achei que te veria de novo nunca mais na vida mas conheci uma pessoa que acabou te conhecendo e te trazendo justamente para onde eu estou”. Sabe, esse tipo de coincidência. Não que isso torne a série ruim, longe disso, só me parece um pouco novelão demais para a qualidade da trama até o momento, mas vida que segue. O gancho do episódio final é digno de deixar qualquer um completamente doido por uma nova temporada, então vamos torcer para essa confirmação vir o quanto antes. Me despeço dizendo que essa série é a coisa mais linda de se assistir pra você que gosta tanto quanto eu de ver personagens femininas tão fortes e corajosas quanto as mulheres de Coisa Mais Linda.

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