• Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020
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Cinema Queer e o espaço para as vozes marginalizadas

Vamos direto ao assunto, existe uma vertente do cinema conhecida como cinema queer, se for para dar um significado bem direto à palavra seria a classificação de personagens e conteúdo como “esquisitos”, “estranhos” ou “diferentes”. A palavra queer enquadra tudo isso e até não muito tempo era usada de forma pejorativa para se referir a qualquer grupo de pessoas que se encaixasse nessas características. Dentro do cinema poderíamos chamar de queer qualquer personagem que fugisse do padrão normativo ou fosse aparentemente não hetero. A intensão desse cinema não é apenas falar sobre gênero e sexualidade, mas mostrar que esses personagens existem e tratar de suas identidades, suas realidades e seus dilemas, que justamente por eles serem diferentes as suas vivências não são vistas. Quando as pessoas desse grupo resolveram assumir o padrão de queer - a princípio imposto a elas -, como parte de sua singularidade da forma mais positiva e bonita possível, foi que a situação começou a mudar. A representação desses personagens no cinema foi por muito tempo bem limitada. Era mais comum vê-los em papeis secundários ou em comédias, onde muitas vezes eram bastante estereotipados. Mas se tem uma coisa que a humanidade é capaz de fazer, mesmo que bem lentamente, é evoluir, e essa evolução também vem ocorrendo dentro do cinema nos últimos anos.

Desde os anos 90 a representatividade queer começou a ser mais representada no cinema mainstream, e em 2005 Transamérica, um filme sobre uma personagem que está prestes a passar por uma cirurgia de readequação sexual, e descobre que possui um filho adolescente que precisa ajudar em troca da aprovação de sua psicóloga para a cirurgia, ganhou espaço nos grandes festivais de cinema ao redor do mundo e algumas indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro, mesmo ano em que O Segredo de Brokeback Mountain também veio às telonas e também recebeu diversas indicações ao Oscar e ao Globo de Ouro. Desde então, a recorrência desses filmes tanto no cinema mainstream, quanto nas grandes premiações cresceram bastante e as histórias dessas pessoas queer estão começando a ser contadas de forma real. Um filme mais independente e que ainda assim ganhou o amor do público e crítica em peso foi Me Chame Pelo Seu Nome (Call By Your Name – 2018). Elio é filho de um professor universitário e está passando as férias de verão com sua família na Itália. Um dia, Oliver, um dos alunos de seu pai, aparece para ajuda-lo com uma pesquisa acadêmica. Não demora muito para Elio e Oliver perceberem que sentem algo um pelo outro. Falando em tratar das vivências de pessoas queer de uma forma completamente não estereotipada Me Chame Pelo Seu Nome é o que considero o melhor de todos – além de ser o melhor filme lançado nos cinemas em 2018 e um dos melhores dos últimos vários anos. O longa ganhou muitos pontos pela forma com que abordou a história baseada no livro de mesmo nome de André Aciman, e por retratar com sutileza a descoberta de um primeiro amor e de sua própria identidade. O filme é lindo, tocante e sutil. Uma das obras primas do cinema atual.

O mais recente filme queer que chamou bastante atenção foi Rocketman, que a história de Elton John, um notório queer conhecido por qualquer pessoa que já tenha ouvido falar de música, e tão conhecido quanto ele é sua sexualidade. Rocketman se tornou o primeiro filme vindo de um grande estúdio de cinema a conter cenas consideradas mais “explícitas” entre dois homens. E mostra a dificuldade que o cantor teve por muitos anos em aceitar a própria homossexualidade e novamente em encontrar sua própria personalidade uma vez que o assunto caiu nas garras da mídia. As excentricidades de Elton são abraçadas e reconhecidas como parte de quem ele é, assim como sua sexualidade os traumas que ele passou para se aceitar e entender que não precisa ser aceito pelos outros.

A transexualidade passou a ser um tema bem mais recorrente nos últimos anos não apenas dentro do cinema, mas por conta dele ganha maior notoriedade e maior aceitação do grande público. A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl – 2016) é um filme importante e que ganhou seu merecido espaço no Oscar. A história baseada na vida de um casal de pintores real, mostra a transição de Einar em Lili Elbe e como ela passou pela descoberta de ser uma mulher, como aceitou isso e como sua esposa lidou com toda a situação. Lili é a primeira pessoa que se tem registro a ter passado por uma cirurgia de resignação sexual em 1930.

Sempre que penso em cinema queer a primeira produção que passa em minha cabeça é a série da Netflix Sense8. Começando pelo fato das criadoras, as irmãs Wachouwski, serem previamente conhecidas como Os irmãos Wachowski. Então é obvio que a série criada por elas seria repleta de representatividade queer. Temos um ator mexicano gay que precisa esconder sua sexualidade por conta do preconceito em seu país e por ele ser considerado um galã para as mulheres. Temos um casal bi racial lésbico onde uma delas é transsexual, além de outros personagens que se enquadram no padrão queer mas fogem da temática do homossexual que abordo aqui. A representação desses personagens nessas duas produções mundialmente conhecidas causou um impacto na sociedade ao mostrar essas pessoas como qualquer outra, que possui problemas e dilemas diferentes apenas por não se encaixarem na norma imposta pela sociedade.

Se você quiser mais algumas opções de filmes queer eu vou deixar outros 3 longas excelentes abaixo.

  

 

Com Amor, Simon (Love, Simon – 2018)

Conta a história de Simon, um garoto de 17 anos que é gay, mas que absolutamente ninguém, além dele, sabe sobre sua sexualidade. As coisas complicam para ele quando se apaixona por um colega da escola com quem vem se correspondendo, o problema é que as correspondências são anônimas e Simon precisa descobrir quem é o rapaz. Esse é aquele tipo de filme adolescente fofo e divertido, mas que até alguns anos atrás eram raríssimos de serem produzidos.

Carol – 2016

A história de duas mulheres cansadas e entediadas por suas vidas monótonas ou complicada demais que acabam se apaixonando e saindo para uma viajem pelo país juntas, tudo isso na década de 50 dos EUA. A realidade em que as personagens vivem onde a homossexualidade era algo que precisava ser escondido a todo custo, é uma amostra do que era ser gay em tempos em que uma mulher poderia perder a guarda dos filhos por conta de sua orientação sexual.

Moonlight – Sob a Luz do Luar (Moonlight – 2016)

Black trilha uma jornada de autoconhecimento enquanto tenta escapar do caminho fácil da criminalidade e do mundo das drogas de Miami. Encontrando amor em locais surpreendentes, ele sonha com um futuro maravilhoso. Esse vencedor do Oscar de melhor filme em 2017 mostra a realidade queer de uma forma ainda menos explorada, a de um garoto gay, negro e de periferia. A história é comovente e linda

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