• Sexta-feira, 24 de Abril de 2026
  1. Home
  2. Uaaau Show
  3. Cinemas mundiais: Filmes para valorizar o cinema brasileiro

Uaaau Show

Cinemas mundiais: Filmes para valorizar o cinema brasileiro

Deve ser de conhecimento geral que o cinema nacional não é muito valorizado. Alguns dizem que a culpa disso é a grande quantidade de comédias ruins que saem todos os anos nos cinemas brasileiros, outros, que é a escassez de informação e divulgação e da própria falta de interesse do público brasileiro em consumir esse produto nacional. A realidade é que não existe somente um fator a culpar, todos os citados acima, e outros, são razões para o limitado interesse do brasileiro pelo cinema produzido aqui dentro. Atire a primeira pedra quem nunca ouviu – ou disse – a frase “o cinema nacional não presta!” eu, inclusive, já ouvi amigos dizendo “não vou gastar meu dinheiro pra ver filme nacional no cinema”. A péssima impressão com o nosso cinema é tão complexa e já tão antiga que entrar de fato no assunto ia me fazer escrever por dias sem parar. Pra mim, ouvir essas frases sempre soou bem estranho, toda vez que eu ouvia ou lia esse tipo de comentário eu pensava, mas gente, O Auto da Compadecida é um dos melhores filmes do mundo, como vocês podem dizer isso?! Sim, O Auto da Compadecida sempre foi o meu exemplo mais rápido e óbvio para provar que nosso cinema não é terrível, porque se nós fomos capazes de produzir um filme com tamanha qualidade, é porque tem gente aqui que sabe fazer cinema.

Para entender melhor alguns fatores que contribuem para que muitas pessoas ainda tenham esse tipo de pensamento eu vou precisar voltar um pouquinho no tempo. No início da década de 60 ganhou força no Brasil o Cinema Novo, que se destacou por tratar majoritariamente de questões sociais enquanto o país se preparava para enfrentar uma ditadura militar. Ele surgiu principalmente para contrapor o cinema produzido no país até então, e criar novos valores estéticos, já que até o momento, a indústria cinematográfica brasileira era dominada por interesses industriais, e esses filmes eram produzidos em grande escala. Glauber Rocha é até hoje considerado um dos nomes mais importantes do cinema novo.

Como contra proposta para o Cinema Novo surgiu a Pornochanchada, uma derivação das chanchadas, estilo que predominava o humor ingênuo e popular, ou, o famoso pão e circo do povo brasileiro, aquela arte que é feita para distrair o público de assuntos sérios e esquecer dos problemas da vida. No início da década de 70 o gênero se tornou predominante entre o público brasileiro, ele consistia em filmes que questionavam costumes e exploravam o erotismo, algo que com o passar dos anos foi ganhando proporções cada vez maiores e se tornando mais apelativo. Além disso, os filmes produzidos não eram grandes produções com excelentes roteiros, pelo contrário, os longas eram produzidos com baixíssimo custo e em um curto período de tempo, ou seja, não havia nenhum esforço para que o filme tivesse uma boa produção ou uma boa história, o que, por um bom tempo, não foi um problema já que o público não estava se importando com isso. Mas, no início dos anos 90, as chanchadas já não tinham mais espaço no mercado brasileiro porque o gosto do público estava mudando, e provavelmente também porque o estilo já tinha se esgotado tanto que as produções pareciam cada vez mais engraçadas por serem tão ruins, do que por quererem ser engraçadas. O legado desses filmes vive até hoje no nosso cinema e a prova disso é o fato de que o cinema nacional ainda tem bastante erotismo e cenas picantes, mas completamente diferente do que era feito na Pornochanchada, mesmo assim, essa influência das chanchadas ainda contribui muito para a opinião geral do público de que esse é o tipo de cinema que produzimos. Outro fator que contribui para esse raciocínio é a Globo Filmes, que produz uma quantidade enorme de longas por ano, especialmente comédias. O que nunca pensamos muito é que parte do cinema produzido pela globo tem o intuito de agradar quem assiste a emissora, o que significa que essa parcela de conteúdo é parecida com as novelas e algumas séries produzidos por eles, porque eles sabem que existe público para isso. Mas, ao mesmo tempo, a Globo nos deu longas excelentes como Cidade de Deus (2002), Carandiru (2003) que foi coproduzido pela Columbia Pictures, Olga (2004), coproduzido pela Europa Filmes, O Auto da Compadecida (2000) e tantos outros. O próximo passo para aprender a apreciar o cinema brasileiro é deixar de comparar filmes nacionais com os americanos. O Brasil possui poucas leis de incentivo ao cinema e ainda não temos nenhuma produtora multimilionária que consiga patrocinar filmes com R$ 150 milhões de reais, como acontece com frequência nos EUA, e mesmo assim, nosso cinema foi capaz de se destacar e ganhar reconhecimento mundial se consolidando com força no mercado cinematográfico. A prova mais recente disso veio no último dia 25/05, quando tivemos mais uma consagração internacional no festival de cinema de Cannes com o filme Bacurau, dirigido por Kléber Mendonça Filho. O longa levou o prêmio do Júri no festival, o primeiro brasileiro a vencer na categoria, e dividiu o prêmio com Les Miserables do diretor francês Ladj Ly.

Eu faço listas de filmes toda semana por aqui, e confesso que a mais difícil de fazer foi essa, porque a vontade era de colocar uns 30 filmes incríveis para apreciação. Mas quem é que tem esse tempo? Eu não vou listar grandes filmes como Tropa de Elite, Cidade de Deus, Carandiru etc porque esses todos já conhecem bem, então, espero que gostem destes selecionados, eu prometo que irão contribuir muito para ajudar qualquer um a perceber tudo o que o nosso cinema tem a oferecer.

Aquarius – 2016

Uma jornalista aposentada defende seu apartamento, onde viveu a vida toda, do assédio de uma construtora. O plano é demolir o edifício Aquarius e dar lugar a um grande empreendimento. Sonia Braga está incrível e a direção do consagrado Kléber Mendonça Filho consegue ser bem sensível ao tratar de um tema que o brasileiro conhece muito bem. É um retrato do Brasil, e um filme que mostra o quanto o cinema brasileiro está mais em alta do que nunca. O longa fez sucesso em grandes festivais internacionais e chegou a ser indicado à Palma de Ouro de Cannes.

Dona Flor e Seus Dois Maridos – 1976

Dona Flor se casa com Vadinho, que é muito bonito e apaixonado, mas não lhe oferece muito. Ela sustenta a família cozinhando para seus vizinhos, mas o marido aposta a maior parte do dinheiro. Vadinho morre repentinamente e Dona Flor começa a sentir falta do casamento. Ela se casa com o médico Teodoro Madureira, mas ele é o oposto de Vadinho. Enquanto Dona Flor está casada com Teodoro, o fantasma de seu falecido marido aparece. Dona Flor é um dos maiores clássicos do cinema nacional e a 3ª maior bilheteria brasileira de todos os tempos, ganhando incluindo refilmagens fora do país. Esse é outro grande filme com Sonia Braga que encabeça o elenco do filme com José Wilker e Mauro Mendonça. É uma excelente adaptação da obra de Jorge Amado.

Colegas – 2013

Os jovens Stallone, Aninha e Márcio viviam juntos em um instituto para portadores da síndrome de Down. Um dia eles decidem fugir para se aventurar e realizar o sonho individual de cada um, se envolvendo em muitas aventuras e confusões. Esse filme é uma delícia de divertido e te faz sentir tão feliz quanto os três jovens se sentem com a vida que estão vivendo. O diretor Marcelo Galvão humaniza seus personagens com Down e com isso, entrega um filme sensível e que certamente é mais eficaz que qualquer propaganda de conscientização já feita.

Dois Coelhos – 2012

Edgar encontra-se em uma situação bem conhecida para a maioria dos brasileiros: preso entre a criminalidade e o poder público corrupto. Cansado dessa vida, ele planeja fazer justiça com as próprias mãos e executa um plano que colocará criminosos e corruptos em rota de colisão. Eu AMO esse filme! É sério, já vi tantas vezes que parece que decorei ele todinho. Quando o longa foi lançado teve bastante gente torcendo o nariz pra ele porque “ele se parece demais com um filme americano” e sim, ele tem grandes influências em blockbusters americanos, e o diretor então estreante, Afonso Poyart fez um excelente trabalho ao buscar as referências para o longa. Eu o coloquei nessa lista parcialmente porque gosto muito dele e parcialmente porque por mais que a influência do cinema hollywoodiano seja facilmente notada, ele foi feito todo em cima da cultura brasileira, o que faz com que o filme seja um retrato em formato de ação da corrupção do país.

O Menino e o Mundo – 2014

Um menino mora com os pais em uma pequena cidade do campo. Diante da falta de trabalho, um dia, ele vê o pai partindo para a cidade grande. Os dias que se seguem são tristes e de memórias confusas para o garoto. Até que então ele faz as malas, pega o trem e vai descobrir o novo mundo em que seu pai mora. Para a sua surpresa, a criança encontra uma sociedade marcada pela pobreza, exploração de trabalhadores e falta de perspectivas. Faziam anos que o Brasil não sabia o que era ter um representante no Oscar, e a animação O Menino e o Mundo permitiu que sentíssemos esse gostinho bom mais uma vez.

A História da Eternidade

Em um pequeno vilarejo no Sertão, três histórias de amor e desejo revolucionam a paisagem afetiva de seus moradores. Personagens de um mundo romanesco, no qual suas concepções da vida estão limitadas, de um lado pelos instintos humanos, do outro por um destino cego e fatalista. Esse é sem dúvidas um dos melhores brasileiros que já vi. Eu tive a honra de assisti-lo em um festival de cinema onde o diretor do longa estava presente e foi absolutamente ovacionado por todos que estavam lá. É uma história profunda, sensível e real para muitos brasileiros que vivem no Sertão.

Saneamento Básico, o Filme – 2007

 

Uma comunidade da serra gaúcha reúne-se para tomar providências sobre a construção de uma fossa para o tratamento de esgoto. O governo federal possui uma verba para a realização de um vídeo, e a ideia é pegar a quantia oferecida pelo vídeo e usá-la na construção da obra. O elenco por si só já é maravilhoso! Esse sucesso da Globo Filmes é um dos longas brasileiros que eu mais gosto de rever de tão divertido que é. Ah, e lembram das pessoas que só falam mal das comédias brasileiras? Esse filme é capaz de acabar com esse argumento.

Que Horas Ela Volta? – 2015

A pernambucana Val se mudou para São Paulo com o intuito de proporcionar melhores condições de vida para a filha, Jéssica. Anos depois, a garota lhe telefona, dizendo que quer ir para a cidade prestar vestibular. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, porém o seu comportamento complica as relações na casa. O filme é um retrato de uma realidade bem atual brasileira. É lindo e comovente à sua maneira.

Benzinho – 2018

O primogênito de uma família de classe média é convidado para jogar handebol na Alemanha e lança sua mãe em uma espiral de sentimentos pois, além de lidar com as instabilidades do marido, ajudar a problemática irmã, e se desdobrar para dar atenção ao seus outros filhos, ela terá de enfrentar sua partida antes de estar preparada para isso. Um filme tocante principalmente por ser tão real para tanta gente. É triste, porém, lindo demais.

Bicho de Sete Cabeças – 2001

O relacionamento entre Wilson e seu filho Neto está cada vez pior. A situação entre os dois chega ao seu limite, até que o pai decide internar o filho em um manicômio, onde o rapaz enfrenta condições terríveis de tratamento. Só a atuação perfeita de Rodrigo Santoro no longa faz o filme valer a pena ser visto. O filme é de deixar os sentimentos de qualquer um a flor da pele.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – 2010

A vida de Leonardo, um adolescente deficiente visual, muda com a chegada de Gabriel, um novo aluno em sua escola. O jovem vive a inocência da descoberta do amor e da homossexualidade, ao mesmo tempo em que lida com o ciúme da amiga Giovana. O curta-metragem de mesmo título fez tanto sucesso que merecidamente ganhou um longa inteirinho com um história linda de se ver.

Também vale assistir: Tatuagem (2013), Bingo: O Rei das Manhãs (2017), Lisbela e o Prisioneiro (2003), Praia do Futuro (2014), Paraísos Artificiais (2012)

Defesa Civil desmente boatos sobre formação de um ciclone em SC Próximo

Defesa Civil desmente boatos sobre formação de um ciclone em SC

Eternize seu amor com a promoção de Dia dos Namorados do Center Shopping Anterior

Eternize seu amor com a promoção de Dia dos Namorados do Center Shopping

Inscreva-se em nossa Newsletter

Fique por dentro das nossas novidades.