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O Oscar da representatividade

Resolvi começar minha primeira coluna na UAAAU enaltecendo o quanto essa cerimônia do Oscar foi emocionante. Ah, o que eu daria para estar lá presente só para ver o Queen se apresentar ao vivo! O Oscar 2019 foi marcado por várias polêmicas ao longo dos meses que o sucederam. Dentre elas: o anúncio de uma nova categoria de Filme Mais Popular, sem  nunca nos explicarem o que exatamente era considerado um filme muito popular, a decisão de premiar quatro categorias durante o intervalo da cerimônia (como melhor fotografia e melhor edição, duas das bases mais importantes da estrutura cinematográfica, que fazem do cinema, cinema), além da redução do número de apresentações ao vivo dos indicados para melhor canção original de cinco para somente duas. Obviamente a academia voltou atrás em todas essas decisões depois de toda crítica dura que sofreu por cada uma delas. Então, era um pouco esperado que essa cerimônia não fosse tão magnífica como costuma ser. Mas para alívio de todos, o Oscar 2019 nos trouxe boas surpresas.

Esse foi o ano com o maior número de mulheres e negros levando estatuetas de ouro para casa. Hannah Beachler se tornou a primeira mulher negra na história a levar o prêmio de design de produção assim como Ruth E. Carter ao ganhar o prêmio de melhor figurino, ambas para o aclamado e tão amado Pantera Negra. Além disso, pela primeira vez na história da Pixar uma mulher dirigiu um curta metragem de animação, (por mais inacreditável que isso pareça, já que o estúdio de animação tem mais de 30 anos de existência) e o Oscar foi para Domee Shi pelo fofíssimo Bao. Outra surpresa emocionante e um dos grandes momentos da noite na minha opinião, foi o vencedor do Oscar de melhor documentário em curta metragem para Absorvendo o Tabu da Netflix. O documentário foi dirigido por Rayka Zehtabchi, a única mulher concorrendo na categoria. Agora vocês me perguntam, por quê eu considero esse um momento tão importante da noite? Porque um documentário sobre menstruação levou um Oscar! Eu repito, um documentário sobre m e n s t r u a ç ã o levou o Oscar. A felicidade das vencedoras foi tanta, que contagiou a todos e assim como eu, elas também custaram a acreditar que haviam levado o Oscar pelo filme. Rayka abriu seu discurso dizendo “Eu não estou chorando porque estou menstruada. Eu simplesmente não acredito que um filme sobre menstruação acaba de ganhar um Oscar”.

Tivemos também o maravilhoso diretor Mexicano Alfonso Cuarón - que desde que dirigiu Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban eu acompanho fielmente ( e é claro que eu dei um jeito de trazer Harry Potter pra essa minha primeira coluna) – que levou prêmios importantes como Melhor Filme estrangeiro, Melhor Fotografia e Melhor Diretor pelo lindíssimo e tocante Roma, Original Netflix. Por mais que fosse muito esperado que Roma levasse o prêmio principal da noite de Melhor filme, onde também estava concorrendo. Cuarón recebeu o prêmio de Melhor Diretor das mãos do também Mexicano e vencedor do mesmo prêmio no ano passado Guilhermo Del Toro. Ver dois mexicanos ganhando o mesmo prêmio por dois anos consecutivos – lembrando que Cuarón levou o prêmio lá em 2014 também por Gravidade - numa premiação tão grandiosa como o Oscar na era Trump, parece ter um gostinho ainda mais saboroso. É importante lembrar que a arte está aqui para isso também, é um significativo portal de entrada para promover maior conciência política e social, algo que a cada ano ganha maior audiência nas grandes premiações.

A premiação de atores me deixou bem contente: Regina King levou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante por Se a Rua Beale Falasse e Mahershala Ali o de Melhor Ator Coadjuvamente por Green Book – O Guia. Esse foi o primeiro e merecidíssimo Oscar de Regina e o segundo e também muito merecido de Mahershala que já havia levado por seu trabalho em Moonlight Sob a Luz do Luar. Nas categorias de Ator e Atriz principal tivemos Olivia Colman que mal acreditava que seu nome havia sido chamado para receber a estatueta, já que Glenn Close era a principal cotada para o prêmio. Olivia está brilhante em A Favorita e o oscar foi mais que justo. Rami Malek foi o grande vencedor por Melhor Ator, era meu preferido e o que eu mais aguardava ver recebendo a estatueta de ouro. Sempre fui muito fã de Queen e Bohemian Rhapsody conseguiu tocar meu emocional ao extremo. Rami está mais que brilhante como Freddie Mercury, o maior astro do rock de todos os tempos - mais uma vez, em minha opinião. Rami teve aulas de canto, piano, dança além de um professor de idiomas e uma dentição falsa para se parecer ainda mais com o músico. Representar Freddie Mercury não é para qualquer um, e Rami Malek o fez esplendidamente.

Eu, como roteirista, sempre aguardo ansiosamente pelos prêmios de Melhor Roteiro Original e Melhor Roteiro Adaptado e esse ano não houveram decepções. Spike Lee diretor e roteirista de Infiltrado na Klan já é um cineasta renomado a tantos anos e pela primeira vez em sua brilhante carreira levou a estatueta mais que merecida para casa por roteiro adaptado, seu fime é revoltante e muito divertido ao mesmo tempo, Spike fez um trabalho maravilhoso balanceando bem sua historia, e mereceu muito o reconhecimento e prêmio, que recebeu com um discurso emocionante. Para roteiro orginal eu tinha minhas apostas em A Favorita ou Roma, ambos baseados em histórias reais mas com roteiros criados do zero. O prêmio acabou indo para Green Book – O Guia, escrito por Nick Vallelonga (filho de Tony Vallelonga, em quem o filme é baseado), Brian Currie e Peter Farrelly. 

Além de receber o prêmio de roteiro, o último e maior prêmio da noite foi para Green Book – O Guia, confesso que de todos os prêmios esse foi o que mais me surpreendeu, pois Roma, Infiltrado na Klan e A Favorita eram as minhas três principais apostas para levar o prêmio. Por mais inesperado que tenha sido, Green Book – O Guia não decepciona. A forma delicada que o filme aborda o racismo na era da segregação racial dos Estados Unidos e vai desconstruindo um preconceito enraizado do protagonista é um ponto grandioso que com certeza contou muito para desbancar os concorrentes na mesma categoria. Mesmo assim, não o considero a melhor opção para o maior prêmio da noite, teria sido incrível ver Roma levar a estatueta principal, mas nos contentamos com o resultado e seguimos em frente.

Outro momento que vale destacar, foi a apresentação da maravilhosa Lady Gaga com o também maravilhoso Bradley Cooper. Nasce uma estrela estava indicado a 6 oscars e levou o prêmio de melhor canção original com Shallow, composta por Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt. A apresentação de Gaga e Bradley foi tão tocante quanto era esperado e me deixou bem emocionada, ver Gaga levar esse prêmio foi quase um sonho realizado, essa mulher merece o mundo!

Por agora é isso galera. Vamos esperar pelos próximos grandes filmes que saírão esse ano e torcer para que todos os oscars daqui pra frente tenham cada vez mais representatividade, esse ano foi lindo de ver.

Confira a lista completa de vencedores

Melhor atriz coadjuvante

Amy Adams, por Vice

Emma Stone, por A Favorita

Marina de Tavira, por Roma

Rachel Weisz, por A Favorita

Regina King, por Se a Rua Beale Falasse

Melhor Documentário

Free Solo

Hale County, This Morning, This Evening

Minding the Gap

Of Fathers and Sons

RBG

Melhor Maquiagem

Border

Duas Rainhas

Vice

Melhor Figurino

A Favorita

Duas Rainhas

O Retorno de Mary Poppins

Pantera Negra

The Ballad de Buster Scruggs

Melhor Fotografia

A Favorita

Guerra Fria

Nasce Uma Estrela

Never Look Away

Roma

Melhor Direção de Arte

A Favorita

Pantera Negra

O Primeiro Homem

O Retorno de Mary Poppins

Roma

Melhor Edição de Som em Filme

Bohemian Rhapsody

O Primeiro Homem

Pantera Negra

Roma

Um Lugar Silencioso

Melhor Mixagem de Som em Filme

Bohemian Rhapsody

Nasce Uma Estrela

O Primeiro Homem

Pantera Negra

Roma

Melhor Filme Estrangeiro

Assunto de Família

Cafarnaum

Guerra Fria

Never Look Away

Roma

Melhor Ator Coadjuvante

Adam Driver, por Infiltrado na Klan

Mahershala Ali, por Green Book - O Guia

Richard E. Grant, por Poderia Me Perdoar?

Sam Elliott, por Nasce uma Estrela

Sam Rockwell, por Vice

Melhor Filme de Animação

Ilha dos Cachorros

Os Incríveis 2

Mirai

O Homem-Aranha no Aranhaverso

WiFi Ralph - Quebrando a Internet

Melhor Curta de Animação

Animal Behavior

Bao

Late Afternoon

One Small Step

Weekends

Melhor Documentário Curta-Metragem

A Night at the Garden

Black Sheep

End Game

Lifeboat

Absorvendo o Tabu

Melhor Curta-Metragem

Detainment

Fauve

Marguerite

Mother

Skin

Melhores Efeitos Visuais

Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível

Jogador Número 1

O Primeiro Homem

Han Solo: Uma história Star Wars

Vingadores: Guerra Infinita

Melhor Roteiro Original

A Favorita

Green Book - O Guia

No Coração da Escuridão

Roma

Vice

Melhor Trilha Sonora Original

Pantera Negra

O Retorno de Mary Poppins

Se a Rua Beale Falasse

Melhor Canção Original

"All The Stars" do filme Pantera Negra

"I’ll Fight" do filme RBG

"The Place Where Lost Things Go" do filme O Retorno de Mary Poppins

"Shallow" do filme Nasce Uma Estrela

"When A Cowboy Trades His Spurs for Wings" do filme The Ballad of Buster Scruggs

Melhor Roteiro Adaptado

Infiltrado na Klan

Nasce Uma Estrela

Poderia me Perdoar?

Se a Rua Beale Falasse

The Ballad de Buster Scruggs

Melhor Ator

Bradley Cooper, por Nasce Uma Estrela

Christian Bale, por Vice

Rami Malek, por Bohemian Rhapsody

Viggo Mortensen, por Green Book - O Guia

Willem Dafoe, por No Portal da Eternidade

Melhor Atriz

Glenn Close, por A Esposa

Lady Gaga, por Nasce Uma Estrela

Melissa McCarthy, por Poderia Me Perdoar?

Olivia Colman, por A Favorita

Yalitza Aparicio, por Roma

Melhor Diretor

Adam McKay, por Vice

Alfonso Cuarón, por Roma

Pawel Pawlikowski, por Guerra Fria

Spike Lee, por Infiltrado na Klan

Yorgos Lanthimos, por A Favorita

Melhor Filme

A Favorita

Bohemian Rhapsody

Green Book - O Guia

Infiltrado na Klan

Nasce Uma Estrela

Pantera Negra

Roma

Vice

 

 

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