Uma iniciativa do CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), o Setembro Amarelo, desde 2015, estimula a sociedade a dialogar e enfrentar a temática do suicídio. Ele é realizado no mês de setembro, pois é no dia 10 de setembro que é celebrado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
Segundo a OMS, mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e, portanto, podem ser evitados se as causas forem tratadas corretamente. No Brasil, 32 brasileiros tiram a própria vida por dia, o equivalente a uma pessoa a cada 45 minutos. Por isso, ações preventivas são fundamentais para reverter essa situação.O Setembro Amarelo é uma iniciativa extremamente importante, objetivando sensibilizar as pessoas diante da dor do outro e mostrar para aqueles que estão sofrendo que há uma saída.
O problema não é somente o suicídio ou tentativas; mas a ideação. O pensamento de que a morte vai trazer alívio às angústias. É o descrédito da vida, a ausência de perspectivas de que podemos construir um futuro melhor, desacreditando que podemos resolver nossos problemas. Enfim, a ideação suicida traz consigo um reflexo de pessoas que não sabem o seu rumo, não veem saída para suas angústias, nem espaço para serem ouvidos, percebidos, aceitos e compreendidos.
As ocupações do cotidiano agitado, o excesso de trabalho, muitas vezes faz com que nos tornemos seres superficiais, sem um pensamento mais aprofundado, sem a percepção do humano. E com isso, não percebemos a dor, que muitas vezes está ao nosso lado.
Por isso, é necessário nos conscientizarmos, ficarmos atentos aos sinais que as pessoas que tem pensamentos suicidas costumam dar. Geralmente quem pensa em se suicidar expressa isso de alguma forma.
Muitos acham que quem fala em suicídio só quer chamar a atenção e não pretende, de fato, se matar. Ao contrário disso, quem fala pode estar pedindo ajuda. Fiquemos atentos a frases do tipo: “não aguento mais”, “eu queria sumir”, “eu quero morrer”, “ninguém sentiria a minha falta”... Enfim, muitas vezes é um pedido de socorro.
Quem se mata quer na verdade destruir a sua dor, o seu sofrimento. Por isso, é necessário falarmos sobre o suicídio. Falar abertamente com a pessoa, mostrando-se interessado. Ouvir, sem julgamentos ou críticas. Isso fará com que o pensamento suicida não seja um enorme peso na mente da pessoa. E finalmente, ofereçamos ajuda, marcando uma consulta com um profissional médico e psicológico. Levando a pessoa para que ela se sinta mais confortável em ter alguém de confiança por perto. Muitas das pessoas que tem oportunidade de conversar sobre a ideia de se matar percebem que existem saídas melhores e não transformam o pensamento em ação.
A cada dez casos de suicídio, nove poderiam ser evitados. Portanto, não subestimemos o poder de uma simples conversa que podemos oferecer. Ter alguém que demonstre sincero interesse, preocupação e que ajude a encontrar saídas alternativas pode fazer o suicida desistir da morte, mesmo que temporariamente. Isso já dá tempo suficiente para que se consiga ajuda especializada. Depressão é doença, não é falta de Deus. Falta de Deus é não ter compaixão pelos que estão sofrendo. Façamos a nossa parte.
O sofrimento precisa ser superado e o único meio de superá-lo é suportando-o. Carl Gustav Jung
Psicólogo Juliano Generoso Cechinel
Foto: Gabriel | Unsplash
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