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Moradores protestam contra apatia em caso de turista negro incendiado em Florianópolis

Com faixas, manifestantes criticaram falta de comoção diante do caso e pedem agilidade nas investigações; vítima segue internada em Florianópolis.

Manifestantes se reuniram nesta terça-feira (25) para exigir agilidade nas investigações e dar visibilidade ao caso do homem negro incendiado em Florianópolis. O ato começou às 19h, na avenida Beira-mar Norte – mesmo local onde ocorreu o crime. A vítima segue internada no HU (Hospital Universitário).

Morador de Presidente Prudente (SP) e açougueiro, a vítima tinha passado um período na Lagoa da Conceição, onde se hospedou em um hostel. O objetivo da viagem era conhecer a praia. No último dia 15 ele retornaria para a cidade Natal.

No dia do retorno, o homem decidiu esperar o coletivo na avenida Beira-mar Norte, mas acabou adormecendo no ponto de ônibus. Ele foi acordado com a gasolina sendo jogada no corpo e pulou na água ao perceber as chamas. Uma mochila com os pertences da vítima foi queimada.

Nesta terça, os manifestantes levaram tambores e faixas pedindo “apuração imediata dos crimes incendiários contra pessoas negras”, acompanhadas de símbolos antinazistas. Eles permaneceram no local até às 20h30.

Apatia e pressa nas investigações

Segundo Marina Caixeta, covereadora do Coletiva Bem Viver e participante do ato, o objetivo é denunciar “que ainda hoje é necessário gritar, dizer e reivindicar que é um absurdo colocar fogo numa pessoa e a expressão racista do ato”. Para a vereadora, a tentativa de homicídio não está ganhando a atenção que merece.

“Quando esses crimes não são contra pessoas negras, a reação geralmente é maior. A primeira expressão racista é vermos que isso não é apurado com pressa, que falta comoção pública. E quando analisamos crimes desse tipo vemos que eles são realizados contra pessoas não brancas”, afirma a vereadora.

O ato foi organizado pelo Sinte/SC (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina) junto a outros sindicatos (Sintram, Sinasefe) e grupos antirrascistas: Cepa, Instituto Liberdade, Africatarina, Negra Bastiana, Madef e Moconevi.

Investigações

Dez dias após o início das investigações ainda são desconhecidas a motivação e autoria do crime. O delegado Ênio Matos, titular da DH (Delegacia de Homicídios de Florianópolis), informou que as equipes trabalham a todo vapor no inquérito policial.

A OAB/SC (Ordem dos Advogados do Brasil) também está acompanhando a vítima. Em nota publicada na última quinta-feira (20), a entidade informou que “espera que as autoridades policiais identificam rapidamente os autores da violência extrema”.

Fonte: ND Mais 

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