A LVMH, maior conglomerado de luxo do mundo, que detém grifes como Louis Vuitton, Dior e Givenchy, confirma oficialmente a sua nova Maison: Fenty, comandada por Rihanna, se tornando a primeira mulher negra a comandar uma grife de moda.
O lançamento da Fenty surgiu após o sucesso de outras investidas da artista no setor de moda, como a parceria bem sucedida com a PUMA, a linha de cosméticos Fenty Beauty com a maior quantidade em tonalidades de base do mercado, e a Savage x Fenty, marca de lingerie que fugiu dos estereótipos eurocêntricos de moda – branco e magro.
Porque esse é um marco na história da moda? Vamos aos dados. A Modefica, plataforma de moda e comportamento com foco em sustentabilidade e futuro compilou os números que cerceiam a indústria da moda em relação ao trabalho feminino.
O mercado de moda feminina global é estimado em 621 bilhões de dólares, (sem somar a esse montante o mercado de noivas, que gira em torno de 57 bilhões) em face de 402 bilhões de dólares do mercado masculino.
O grosso da produção desse mercado também está em mãos femininas. No Brasil, 75% da mão de obra da indústria são mulheres. No mundo, esse montante chega a 85%. Do chão de fábrica ao varejo, sem deixar de lado as lavouras de algodão, as mulheres são presença massiva na rede produção e venda da moda.
Como todas as outras indústrias e áreas de negócios, a moda é bastante desigual quando falamos de raça e gênero. Das 50 maiores marcas de moda, apenas 14% são lideradas por mulheres e não há nenhuma mulher entre os 10 CEOs mais bem pagos da indústria. Além de faltar mulheres nas posições de liderança e CEOs, nem 25% dos altos cargos das maiores empresas de moda são femininos.
A CFDA, associação sem fins lucrativos de Designers da América, indica que até a presença de uma mulher no corpo executivo da empresa está relacionada com menores níveis de financiamento.
A moda é uma indústria que vende massivamente para as mulheres e a presença feminina também é quase total nos cursos da área. As mulheres estão entrando em maioria díspar no mercado de moda, mas elas dificilmente chegam ao topo e estão longe de ditar as regras.
O estudo da CFDA concluiu que no começo da carreira e até determinado nível profissional, mulheres são mais dispostas a pedir promoção e aumento do que os homens, assim como se mostram mais interessadas em chegar ao cargo máximo de liderança. Elas param de pedir promoções e mudam suas ambições depois de um tempo, quando passam a entender que, a partir de um determinado nível, “o clube é do bolinha”. 100% das mulheres entrevistadas disseram que a desigualdade de gênero é um problema na indústria.
Por isso, vida longa ao trabalho de Rihanna. A marca além de comandada por uma mulher, transmite questões fora da caixa para os padrões de moda estabelecidos por marcas de luxo.