• Domingo, 31 de Maio de 2020
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Uaaau Show

As formas de representação de One Day at a Time

Que eu adoro falar sobre sitcons já não é nenhum mistério pra quem acompanha minhas colunas, e hoje é isso que farei novamente, porque se tem uma sitcom que precisa ser exaltada mais vezes é One Day at a Time. Originalmente da Netflix a série pode ser considerada a mais representativa da tv atual quando falamos de Latinidade, questões LGBTQ+, depressão e religião. Assuntos que a princípio não parecem ter muita relação e que aqui são tratados de formas nunca vistas antes. A trama gira em torno da família Alvarez. Lydia fugiu para os EUA de Cuba quando era nova junto com o marido, lá eles tiveram Penélope que é agora uma veterana do corpo de enfermagem do exército americano divorciada e com dois filhos adolescentes, Elena e Alex. 

É então que os clichês do povo latino começam a ser quebrados e assuntos mais sérios a serem tratados com uma normalidade e leveza que todos precisamos. Entre os momentos engraçados e divertidos onde muitas questões sobre religião, dificuldades de uma mãe solteira, machismo e a vida de imigrantes são tratadas de forma divertida, temos também esses mesmos assuntos vistos pelo outro lado, onde eles afetam a vida dos personagens e acabam sendo debatidos até o final de cada episódio. 

A tão famosa felicidade do povo latino é colocada à prova com as dificuldades de Penélope em ter que lidar com a vida pós exército e solteira quando ela percebe estar em depressão. Lydia é uma católica fervorosa que leva os rituais religiosos muito a sério e tem dificuldades em lidar com as escolhas da vida da filha, ao mesmo tempo que ama sua cultura e origem cubana mais que tudo e constantemente demostra isso de muitas formas hilárias durante a série. Elena se descobre homossexual e tem dificuldades em lidar com isso, assim como sua mãe e avó, Alex é o mais novo e queridinho de Lydia e se passa como o garoto perfeito e sem defeitos, mas acaba lidando com as dificuldades de ter uma origem latina. Além da família, ainda temos Schneider, dono do prédio onde eles moram e que também se considera um Alvarez, ele acaba trazendo questões de gênero por ser um homem hétero, branco e rico e detestar ter todas essas características, além de toda questão de se considerar imigrante por ter vindo do Canadá, como Lydia, ele é um dos mais divertidos personagens da série.

Além disso tudo, a série faz diversas piadas com Trump, com americanos, com a cultura latina, com o machismo da sociedade, com padrões de beleza e vai quebrando cada um desses paradigmas ao longo de cada temporada. 

As histórias de vida de cada personagem são tratada de maneira tão leve e gostosa que nos fazem constantemente pensar em muitos assuntos que vão desde como a depressão deve ser lidada dentro de uma família às inúmeras questões LGBTQ+, já que Elena levanta essa bandeira e se considera uma feminista que acredita ser capaz de trazer boas mudanças para o mundo ao seu redor. Quem é que não gosta de dar umas boas risadas e ainda aprender sobre diversos assuntos atuais, não é mesmo?

Após a terceira temporada a série acabou sendo cancelada pela Netflix (um grande erro do streaming, que fique registrado), mas foi salva por um canal pequeno da tv americana, então por mais que a partir da temporada 4 ela não esteja mais no streaming, você ainda pode continuar se apaixonando por cada personagem da série por tempo indeterminado.

 

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