ARARANGUÁ (SC) – O caso da educadora Jádina Custódio Ferreira Vieira
O assassinato da educadora Jádina Custódio Ferreira Vieira, de 55 anos, teve uma atualização decisiva com o apontamento do ex-companheiro da vítima, Paulo Roberto Hoffman, e de Fábio Zago Demetto como os envolvidos no crime.
O fato ocorreu na manhã do dia 15 de abril de 2026, no pátio da residência de Jádina, localizada no bairro Uruçanguinha, em Araranguá. A educadora foi atacada na frente de sua filha adolescente, sofrendo múltiplos golpes de faca. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Regional de Araranguá, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu quatro dias após o atentado.
Histórico de violência e disputas judiciais De acordo com a advogada Mayara de Andrade Bezerra, que representa as filhas de Jádina, o feminicídio foi o ápice de um longo contexto de violências anteriores sofridas pela educadora. A advogada aponta que Jádina vinha enfrentando intimidações, tentativas de anulação e falta de respeito ao seu estilo de vida e pensamento por figuras em sua maioria masculinas, sofrendo inclusive recorrente violência psicológica.
Mesmo diante das adversidades e das ameaças sofridas dentro de sua propriedade, a educadora buscava reerguer-se e acionava a justiça de forma independente. A advogada Mayara de Andrade Bezerra explica que, antes de ser assassinada, Jádina já acumulava uma série de disputas judiciais importantes:
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Esfera de Família: Processo envolvendo a guarda e a convivência da filha adolescente.
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Esfera Cível: Ação que discutia a permanência de Jádina na mesma casa onde acabou ocorrendo o crime.
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Esfera Criminal: Duas ações penais em curso contra o ex-companheiro (pai da adolescente). O Ministério Público já havia avaliado as denúncias levadas por Jádina, encontrando indícios concretos de autoria e materialidade, com audiências de instrução e julgamento já designadas.
Segundo a defesa, todo esse histórico de litígios está implicado diretamente com o resultado da morte da vítima.
Próximos passos na Justiça O caso segue agora para a apreciação do Ministério Público. O órgão irá avaliar se há necessidade de complementações para, em seguida, oferecer a denúncia formal e iniciar a ação penal. Permanece aberta a possibilidade de responsabilização de outras pessoas que continuam sob suspeita no caso.
Ocupação e memória: a luta das filhas Em busca de justiça e para preservar a memória da mãe, as filhas de Jádina decidiram ocupar a residência onde o crime aconteceu. Como forma de protesto e expressão, a filha Jadiane espalhou cartazes pela propriedade.
"Tem muito da minha mãe em mim. É muito sobre os reflexos dessa mulher em quem fica e no que fica, em tudo que ela deixou. De alguma forma, a voz dela sendo ecoada. Ela era uma mulher de luta e eu sou uma mulher de luta também", declarou Jadiane, reforçando que o ato é uma resposta ao sentimento de aniquilamento provocado pelo feminicídio.
A ocupação da casa, segundo a família, serve tanto de manifesto para a sociedade quanto para demonstrar às autoridades que as filhas seguem vigilantes e presentes no local, confiando nas instituições, mas exigindo o total esclarecimento de toda a situação.