• Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020
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O poder da música no cinema

Você já parou pra pensar no tamanho da importância da música no cinema? O quanto uma trilha sonora original pode impactar na sua experiência cinematográfica é provavelmente de conhecimento de qualquer um que já tenha assistido a qualquer filme que seja, o que já mostra que uma boa trilha sonora faz total e completa diferença no resultado final de um filme. Ao mesmo tempo que a falta dela pode ser capaz de fazer a mesma coisa. O que eu quero dissertar aqui não é sobre as músicas famosas que embalam os filmes e sim, suas trilhas instrumentais criadas especialmente para aquela história. O que é importante de frisar é que nós apenas vemos a música como algo essencial para o filme porque nos acostumamos com isso, já que nem sempre existiu uma trilha sonora para os filmes. No início do cinema, a orquestra que tocava nas sessões durante os filmes estava ali principalmente para evitar o silêncio entre as cenas, as músicas tocadas por eles não serviam como trilha para o filme, mas para criar um maior entretenimento do público e não o dispersar. Hoje em dia, porém, a música possui uma relação direta com o cinema e está presente por vários motivos, é ela quem dá o tom das cenas e ajuda a contar a história de fundo. Um dos maiores mestres no assunto é, até hoje, Ennio Morricone, responsável por revolucionar a música no cinema ao compor a trilha de vários dos maiores filmes de faroestes. Aquela música de faroeste que eu sei que surge na sua cabeça quando você pensa nesses filmes foi composta por ele para Três Homens em Conflito (The Good, The Bad and The Ugly – 1968), a importância e a genialidade do compositor é tanta que a trilha foi composta antes do filme e o diretor Sergio Leone gravou o longa para que se encaixasse na trilha, e não o contrário como de costume. Como essa é uma coluna musical, aqui vai o vídeo com ela.

Outro nome importantíssimo para o cinema é John Williams, responsável pela trilha de muitos grandes filmes como Star Wars, Tubarão, Jurassic Park, Superman, Indiana Jones e Harry Potter, alguns filmes que possuem trilhas sonoras bem marcantes. Assim como Morricone, Williams se consagrou por saber trabalhar perfeitamente a junção entre música e filme. Quem é que não lembra da tensão construída pela trilha de Tubarão, que consegue nos causar tensão e terror ao mesmo tempo. Uma excelente trilha sonora mexe com o emocional do espectador fazendo com que toda vez que ele ouça a música se lembre não apenas do filme, mas do que sentiu quando a trilha estava tocando. Elas acabam causando um impacto na vida das pessoas e por isso contribui para uma maior imersão e sentimentalismo quanto à história. Quando tratamos de uma sequência de filmes esse tipo de sentimento pode aumentar muito. Já que falamos de John Williams, ao ouvir a música tema de Indiana Jones você é automaticamente levado para dentro do universo toda vez que ouve a trilha tão cheia de aventura quanto os filmes, assim como o tema mágico de Harry Potter, que nos transporta para Hogwarts num piscar de olhos. O mesmo vale para Senhor dos Anéis, a trilha composta por Howard Shore nos leva de volta à terra media tão rápido e tão abruptamente que é até difícil voltar à realidade.

O alemão Hans Zimmer é também responsável por grandes trilhas sonoras, ele foi um dos compositores da famosa música de Piratas do Caribe e colabora frequentemente com Christopher Nolan. Uma trilha que ficou muito marcante no cinema nos últimos anos foi a de A Origem, responsável por criar o som visto em praticamente todos os trailers de filmes de ação e aventura desde então, e composta por Zimmer. Ele é um dos criadores do famoso BAUMMM que marcou a trilha e o trailer de A Origem. Se você não sabe do que estou falando é só clicar no vídeo abaixo. Seu trabalho mais recente com Nolan foi em Dunkirk que possui uma trilha sonora absolutamente incrível e que cria uma tensão imensa durante o filme. A trilha de Game Of Thrones foi composta por Ramin Djawadi, e eu aposto que mesmo se não viu a série conhece seu tema de abertura. Ramin foi descoberto por Nolan que o recrutou para trabalhar com ele, e prestando atenção, é possível notar similaridades entre as composições de Nolan e de Ramin para Game Of Thrones.

  

 

Falar sobre trilha sonora era algo que eu sentia vontade a algum tempo, qualquer pessoa que me conheça sabe que eu basicamente vivo a base de música, faço absolutamente tudo com música ao fundo, de certa forma gosto de ter uma trilha sonora comigo quase o tempo todo, e muitas vezes essa trilha sonora acaba vindo de muitos desses filmes que acabam servindo de inspiração principalmente quando estou escrevendo, não sei se isso é pelo fato de eu ter crescido assistindo a muitos filmes o tempo todo, mas da mesma forma que trilhas embalam as histórias do filmes e ajudam a dar o tom para as cenas, algo bem parecido pode acontecer na vida real. E é justamente por isso que eu preciso falar da que considero a melhor trilha sonora já feita e que é também, a minha preferida, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Le fabuleux destin d'Amélie Poulain – 2002). O filme francês foge das narrativas e da história convencional e juntando isso com sua fotografia amarelada e esverdeada e sua trilha sonora maravilhosa o torna disparado um de meus filmes preferidos. A trilha é à base de sons bem franceses e ela é tão marcante que não tem como passar despercebida, ela faz tanta parte da história quanto sua protagonista Amélie e participa diretamente na narrativa do filme, as músicas em Amélie Poulain nos contam os tons das cenas de uma forma que é ao mesmo tempo maravilhosa e poderosa. Pra mim, ouvir as músicas do filme me transportam não apenas para a história, mas são capazes de fazer do meu humor suscetível ao seu ritmo, e a impressão que eu tenho é de que Amélie, mesmo não ouvindo a trilha que embala sua história, sabe que ela está ali e é absolutamente suscetível à ela também. Esse conjunto de coisas tornaram a trilha de Amélie Poulain uma das mais geniais já feitas, então se você gosta de músicas instrumentais inspiradoras e marcantes, eu não poderia indicar nada melhor que essa.

Para finalizar, falar de trilha sonora também é falar da ausência dela. É verdade que cinema e música são a combinação perfeita e que um é capaz de tornar o outro melhor, mas também é verdade que um filme não precisa da música para ser bom, porque da mesma forma que a música é usada para compor as cenas e criar maior sentimentalismo, emoção, tensão e todos os outros tipos de sentimentos possíveis, a falta dela, quando bem aplicada, é capaz de fazer o mesmo. Naufrago, Onde os Fracos Não Tem Vez, Gravidade e Um Lugar Silencioso são filmes incríveis e com bem pouca ou nenhuma trilha sonora. A falta dela em cada um é justificável, seja para criar maior imersão no desespero de um homem sozinho em uma ilha, para criar maior tensão para com um assassino frio e sem escrúpulos, para nos dar maior noção do silêncio no espaço e aumentar a imersão na história ou para criar maior tensão e nos deixar bem atentos à qualquer som possível fazendo com que fiquemos quase sem respirar e sem nos mexer como se qualquer som que fizéssemos pudesse interferir na narrativa. Esses filmes são apenas alguns que souberam usar a falta de trilha, e algumas vezes de som, para contar a história. Algumas provas de que filmes com pouca ou nenhuma trilha podem funcionar muito bem.

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